01/06/2003, Domingo * Mountain View, CA - Shoreline Amphitheatre (abertura: Idlewild)
set: Long Road, Do The Evolution, Animal, Save You, Green Disease, Grievance, I Am Mine, You Are, Even Flow, Not For You, Corduroy, Habit, Daughter/(Hold on), Thumbing My Way, Present Tense, 1/2 Full, Insignificance, Go
enc 1: Love Boat Captain, Small Town, Better Man, Crazy Mary (cover da Victoria Williams), Alive, Porch
enc 2: Know Your Rights (cover do The Clash), Bu$hleaguer, Fuckin' Up (cover do Neil Young)
O PJ poderia escrever um livro sobre durabilidade. Em uma indústria em que artistas são testados e descartados como sapatos, seus fãs têm seguido a banda por uma década, além dos dias em que ela manteve os lugares nas paradas de sucesso com os mega-platinados "Ten" e "Vs". Nunca seguindo a moda, Eddie Vedder e companhia têm transcendido barreiras, atingido respeito e se organizou para se manter verdadeiro à sua inconstante reflexão no processo.
Como a maioria dos lançamentos mais recentes deles na carreira, o álbum mais novo, "Riot Act", está descendo para os mais baixos degraus das paradas da Billboard. Mas não há por alguns anos álbuns melhores, e poucos são os artistas atrás deles que poderiam ter um público grande o suficiente para encher as duas primeiras fileiras do Shoreline Amphitheatre, como o PJ fez no domingo. De uma combinação de mainstream rock e um experimentalismo inquieto, a banda mais comercial da era-Grunge de Seattle amadureceu para uma banda ao vivo com fãs tão devotos como os Deadheads (fãs do Grateful Dead).
Eles saíram com força no domingo e seus heróis não desapontaram. Abrindo com a sombria "Long Road", o show cobriu cada passo da carreira deles. A partida deste repertório seguiu para a direta "Do The Evolution", de volta para os 90 com o stadium-rock de "Animal" e daí de volta ao futuro novamente, com duas faixas do novo álbum "Save You" e "Green Disease".
Todas foram bem recebidas pelo público agitado. Em alguns momentos durante as duas horas e meia de show, o concerto parecia mais um evento esportivo ocupado pela improvável colisão de eufóricos ex-indie rockers, metaleiros e fortes frat boys [expressão usada pra definir garotos reunidos em fraternidades de faculdades] em camisetas de futebol que reagiam a cada solo de guitarra como se fosse um touchdown. O PJ cruzou sua postura progressista ao stadium rock resgatado da tradição do rock dos anos 70, e ocasionalmente, as duas não se misturam. Quando Vedder deu um grito para o pró-paz Dixie Chicks [grupo feminino de country, que sofreu boicotes e ameaças ao criticarem o presidente George W. Bush], bastantes vaias "temperaram" os aplausos, que o levaram a falar: "Qualquer um que vaia as Dixie Chicks são uns grandes v*ados".
Os opositores calaram a boca. Eles se mantiveram em silêncio quando Vedder brindou os que protestaram anti a guerra e estimulou os fãs a se oporem ao monopólio na mídia; eles até mesmo ficaram em paz, quando o grupo tocou a sua canção mais controversa, "Bu$hleaguer". A noite ofereceu o suficiente para mantê-los felizes, dos velhos hits como "Alive" e "Even Flow" à hipnótica variação de texturas sonoras: o trêmolo da guitarra emprestou uma nuance psicodélica a "You Are"; acordes poderosos adicionaram um tom punk para a agitada "Habit"; uma tranquilidade acústica e um palco escurecido adicionaram peso a "Daughter".
O PJ tem amadurecido sem se tornar velho. Vedder e o baixista Jeff Ament ainda pulam no palco como molas, e os guitarristas Stone Gossard e Mike McCready (cujos solos inspiraram imitações de air-guitar pelo anfiteatro) interagiram um com o outro com uma fluidez natural. O baterista Matt Cameron bateu com mais força e com mais precisão do que nos tempos do Soundgarden.
Mais importante, doze anos juntos têm deixado o PJ com uma compreensão natural do seu próprio funcionamento: um minuto os membros se unem em um ímpeto de poderosos acordes; no próximo eles saem fora das tangentes das jams e se individualizam; daí, novamente, eles se aderem num único muro de som. Poucas bandas atingem esse balanço de precisão e elasticidade; poucas se tornarão mais elástica com a idade.
Depois de um bis com um ponto alto num "karaokê" em "Better Man" e uma maratona de jam em "Crazy Mary", a banda decidiu atingir o público pelo cérebro, muito mais do que pelas vísceras, quando retornaram para o final com 3 canções, que incluiu "Bu$hleaguer" e uma cover de "Know Your Rights" do The Clash. Por essa hora, o público menos liberal já tinha também se mandado pros seus SUVs ou estavam muito ocupados dançando para poderem vaiar. Foi um final bem encaixado de uma banda que tem de alguma forma se dirigido para ser popular e provocativa ao mesmo tempo. Woody Guthrie teria ficado orgulhoso.