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Resenha do Show do Pearl Jam, em Houston




06/04/2003, Domingo * Houston, TX - Cynthia Wood Mitchell Pavillion (abertura: Sleater-Kinney)

set: Can't Keep, Grievance, Save You, Hail Hail, Even Flow, I Am Mine, Thumbing My Way, You Are, Whipping, Insignificance, Breath, 1/2 Full, Small Town, Immortality, Evolution, Rearviewmirror
enc 1: Love Boat Captain, Better Man, Black, Go
enc 2: Soon Forget, Fortunate Son (com o Sleater-Kinney - cover do Creedence Clearwater Revival), Rockin' in The Free World (com o Sleater-Kinney - cover do Neil Young)


O palco estava arrumado para um embate final no Domingo, a primeira noite da temporada de concertos no Cynthia Woods Mitchell Pavilion.

De um lado estava o Pearl Jam, originalmente, embaixadores do grunge, que amadureceram nos últimos 12 anos, tornado-se uma jam band de rock'n'roll e, ocasionalmente, de ativismo político. Com eles estava uma nação de [fãs] de 20-30 e tantos anos, que saíram da área do mosh [na frente do palco] para um grupo de eleitores engajados, enquanto rumavam para a vida adulta.

Do outro lado, estava a facção - dividida entre o amor pela música do PJ e a lealdade ao Presidente George W. Bush - pronta para "nocautear" o vocalista Eddie Vedder ao primeiro sinal de sentimento antiguerra.
Seis noites anteriores, em Denver, durante o show de abertura da primeira turnê norte-americana do PJ em 3 anos, o grupo deixou os fãs de Houston em alerta. Durante a declaração dura e falada de "Bushleaguer", Vedder demonstrou sua posição sobre a guerra no Iraque, fincando a máscara do Bush no pedestal do microfone.

Esta demonstração ocasionou umas vaias superficiais e a saída adiantada de alguns poucos fãs. Duas noites depois, em Oklahoma City, Vedder deu sua interpretação à história, dizendo que 11.972 pessoas permaneceram, vibraram e aplaudiram.

Em Woodlands (Houston), os bate-papos antes do show foram dominados pela [suposição] de qual declaração poderia ser feita em um lugar, em que tanto Bush como Vedder uma vez chamaram de lar (Vedder viveu por pouco tempo em Houston, quando era bem pequeno. E Houston - Texas - é terra do Bush).

"As pessoas pensaram que nós estávamos vindo para Houston para encorajar alguma agitação", disse Vedder, no meio do concerto. "É loucura. Isso não se parece com os Estados Unidos da América."

O comentário levou a gritos de uma minoria, embora seja difícil dizer se a negatividade foi dirigida para Vedder ou para a guerra. Clear Channel Entertainment [empresa que organiza shows] relatou que não houve pedidos de devolução do dinheiro, vindos do público de aproximadamente 11.500 fãs.

Vedder temperou sua opinião política com humor no restante do show de 22 canções. Ele apareceu no palco para o segundo bis, vestindo uma máscara do bilionário da Microsoft, Bill Gates. Gentilmente colocando-a no pedestal do microfone (cuidadoso para não espetá-la), ele delicadamente cantou, para o similar de borracha (a máscara), "Soon Forget", uma cantiga leve no ukulele [que fala] sobre os paralelos entre a ganância e a solidão.

Aqueles que se prenderam ao lado dos acontecimentos [e não foram ao show] perderam um show sem paralelos do Pearl Jam. Foi um show para fãs de carteirinha, que vivem atrás de raridades. O fã de rádio, no entanto, deve ter saído desapontado.

O show de mais de duas horas teve muitas canções do novo álbum, "Riot Act", incluindo covers do Creedence Clearwater Revival ("Fortunate Son") e do Neil Young ("Rockin' in the Free World"), junto com o grupo feminino Sleater-Kinney, e nenhum sinal dos hits que fizeram a carreira do PJ, "Alive" e "Jeremy".
Há tempos que o PJ não retoma seus velhos hits para empolgar o público de uma maneira fácil. Eles agora soam técnicos, que nunca oferecem o mesmo setlist duas vezes, e constroem a cinética e o clima na colocação precisa das canções.

Vedder, que aos 38 poderia ser confundido com o Val Kilmer, ainda é o líder emocional do Pearl Jam. Por outro lado, os guitarristas Mike McCready e Stone Gossard são o "bate-estaca musical" do grupo.
As novas canções como "Can't Keep" e "I Am Mine" criam um espaço para Mike fazer suas extensas improvisações nas cordas nas passagens da música ou na construção de coda [parte que conclui uma música com repetição]. Esse fluxo livre faz com que a frustração [passada] pela canção "Do The Evolution" ou o explosivo refrão de "Rearviewmirror" pareçam muito mais asfixiantes.

Alguns irão se aborrecer que só 5 canções (Even Flow, Elderly Woman Behind..., Rearviewmirror, Black e Go) foram selecionadas dos dois primeiros álbuns do PJ, lançamentos altamente comerciais. No entanto, ir para esse show e esperar por mais, seria tão irrefletido quanto esperar que uma banda de rock não diga afrontas pela paz.


     
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