02/05/2003, Sexta * Buffalo, NY - HSBC Arena (abertura: Sparta)
set: Love Boat Captain, Brain Of J, Hail Hail, Save You, Corduroy, Small Town, I Got Shit, Even Flow, Faithfull, Deep, Given To Fly, Spin The Black Circle, Wishlist, Green Disease, Insignificance, Black, Go
enc 1: Free Jazz, Driven To Tears (cover do The Police), Better Man, Crazy Mary (cover da Victoria Williams), Do The Evolution, Alive
enc 2: Soon Forget, Smile, Fortunate Son (cover do Creedence Clearwater Revival), Sonic Reducer (cover do Dead Boys), People Have The Power (cover da Patti Smith)
enc 3: Baba O'Riley (cover do The Who), Yellow Ledbetter
Nas últimas semanas, Buffalo tem sido tratada com 2 shows que os peritos em rock certamente estariam relembrando para seus netos décadas depois.
Na semana passada, a lenda do rock e poetisa Patti Smith e sua banda fizeram dois shows de tirar o fôlego, ambos deixaram o público "embriagado", e alegre.
Sexta à noite, o PJ - talvez a mais importante, duradoura e criativa banda a emergir do movimento do rock do começo dos anos 90 - proporcionou quase 3 horas de show para um público aparentemente ávido pela mistura do puro vigor da banda, a rica musicalidade e dinâmica, e a frequente interação.
Adequadamente, o PJ tocou em um bis uma agitada versão do hino de Patti Smith, "People Have the Power."
Poucos shows são tão repletos de mágica e uma celebração em comum, que cada um, ao sair do show, é capaz de acreditar que é uma pessoa diferente da que entrou. Este foi um deles.
Primeiro de tudo. O PJ cultivou um público nos seus próprios termos, meticulosamente, com muito cuidado e ponderação. A banda explodiu em 91, com o lançamento do álbum de estréia, "Ten", mas preferiu dar as costas à adulação e ao sucesso comercial gerado pelo álbum, em favor da grandiosidade da permanência.
O que significou, nenhuma MTV, nenhuma cobertura avassaladora da mídia, nenhum brilho das fotos aos montes. Ao contrário, o PJ - vocalista Eddie Vedder, baixista Jeff Ament, guitarristas Mike McCready e Stone Gossard, e o baterista Matt Cameron - se concentraram em transformar a banda de um sólido e frequentemente inspirado "grunge" para um tipo de grupo de rock, que desafia categorizações e modas temporárias, as quais fazem com que muitos grupos soem ultrapassados após um tempo.
Nós fomos abençoados que a banda seguiu esse rumo, com cada álbum desde o "Ten", mostrando um evidente aprimoramento em termos de composição, musicalidade e visão. Hoje, o PJ é talvez o único grupo de sua geração atualmente em turnê, que possa ser comparado com o melhor dos melhores - the Who, Springsteen, Zeppelin, etc.
O guitar rock não tem soado assim tão bom, há algumas décadas. Entrando no palco com uma versão grandiosa e dominante de "Love Boat Captain," do mais recente álbum do grupo, "Riot Act" - talvez o melhor - Vedder e seus comparsas trouxeram uma intimidade à sua performance que gerou um sentimento de comunhão entre a banda e o público. Passadas 3 canções, e era aparente que os membros da banda estavam se divertindo tanto quanto o público.
"Essa é penúltima noite nesta parte da turnê", disse Vedder para o público no começo. "Muitas pessoas acham que a última noite da turnê é aquela em que a banda estende a duração e se aventura. Mas nós aqui, em cima do palco, sabemos que é na verdade a penúltima noite que é especial."
O público, que já parecia próximo da euforia, foi completamente à loucura.
O setlist, que muda drasticamente, de noite para noite, de cidade para cidade, foi talvez o mais compreensivo e inspirado que este escritor aqui já ouviu da banda.
"Brain of J," "Hail Hail," "Save You," "Corduroy," "Even Flow," "Faithful," "Given to Fly" (que Vedder dedicou ao ator nascido em Buffalo, Vincent Gallo), "Spin the Black Circle," "Wishlist," "Green Disease," "Black," "Go," "Betterman," "Crazy Mary," "Do the Evolution," "Alive" - isso é o tipo de rock moderno que lembra aos fãs por que eles se sentem apaixonados, em primeira mão, pelo idioma.
O PJ tem consistentemente oferecido interpretações vívidas de um material diverso gravado por outros artistas, e sexta à noite não foi exceção. Versões alucinantes de "Driven to Tears," (The Police), "Sonic Reducer," (Dead Boys), "Baba O'Riley" (The Who) e "Fortunate Son" (Creedence Clearwater Revival), todas se encaixaram perfeitamente ao setlist estelar da banda.
O PJ toca rock 'n' roll como se a vida deles dependesse disso. Talvez sim. Uma coisa é certa, no entanto - a nossa vida é enriquecida pela paixão deles, pela enorme habilidade.