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Discografia: Riot Act |
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A produção do álbum foi feita por Adam Kasper, que já trabalhou com a banda como assistente de produção dos álbuns Vs (93) e Vitalogy (94). Além disso, foi engenheiro de som do In Utero (93) do Nirvana; co-produtor, engenheiro de som e assistente de produção do Soundgarden, nos álbuns Superunknown (94) e Down on the Upside (96), produtor do Foo Fighters em There is Nothing Left to Lose (99) e mixou o elogiado Songs for the Deaf (02) do Queens of the Stone Age. A mixagem do álbum ficou a cargo do velho companheiro Brendan O' Brien. A intenção foi fazer o som do álbum como se fosse ao vivo, mais aberto. Uma grande novidade do álbum, é a participação de um amigo de Vedder tocando teclado, órgão e piano. O nome do músico, um havaiano de tipo cartunesco, é Kenneth Gaspar, mais conhecido como Boom. Inclusive, ele não só tocou no álbum, como ajudou Vedder na elaboração da melodia de "Love Boat Captain", que, em sua versão demo, já chegou a se chamar BoomB3, por causa do uso de um órgão Hammond B3. Como vem sendo comum nos últimos álbuns da banda, todos os integrantes colaboraram na composição das músicas e todas foram feitas especialmente para o disco, não havendo resgate de canções não usadas nos outros trabalhos do grupo. O baterista Matt Cameron, por exemplo, compôs a melodia de "You Are", a canção que mais se distancia de qualquer outra coisa já feita pelo Pearl Jam. Desde o trabalho vocal, até a sonoridade, os riffs e reverberações. Cameron também fez a música de "Cropduster", que até lembra um pouco de sua banda anterior, o Soundgarden; a ótima letra foi escrita por Vedder. Já Mike McCready, criou o riff que originou a explosiva "Save You". Jeff Ament, que já tinha demonstrado suas habilidades como compositor no Binaural, aqui volta a atacar com a obscura helphelp (letra e melodia), a melodia de 1\2 Full (letra de Vedder) e de Ghost (letra Jeff e Vedder).
Revista: Embora tenha estreiado tocada no ukulele por Vedder em dois concertos solo na primavera [2002], a faixa meio incendiária é transformada aqui [no álbum], em camadas de guitarras bem cuidadas e uma batida retumbante que se enquadraria bem no álbum "No Code" de 1996. E. Vedder: Isso é o legal de se deixar levar e não tentar manter controle sobre a sua visão. Às vezes, você compõe uma canção e tem uma certa forma como você a escuta em sua cabeça. Ouvi-la, começa a se tornar algo diferente...a versão no ukulele é muito mais rápida. É muito mais punk rock do que como ela acabou ficando, com certeza. [risos] E está ok! Eu quase que posso perceber a banda sentindo um ao outro e construindo juntos. S. Gossard: Acho que ela foi a primeira de uma fita de canções que o Eddie trouxe. Eu aprendi como tocá-la na guitarra e cheguei no estúdio pensando em convencer os caras a tocá-la, porque eu sabia que esta canção seria matadora se nós a transpuséssemos para a banda toda. M. Cameron: Uma vez aprendida as partes, nós meio que tivemos que mudá-la um pouco. Nós demos a ela uma espécie de abordagem acústica e elétrica, uma abordagem do tipo "Poor Tom" do Led Zeppelin. Isso a levou para uma região diferente e, definitivamente, Eddie ficou feliz com a forma como a banda a transformou.
J. Ament: Há 3 pessoas diferentes tocando guitarra, então soa como um álbum do Jimmy Page [ex-guitarrista do Zeppelin], mas nós temos 3 guitarristas! É tão estática; ela soa como insetos ou algo assim. Revista: A narrativa de uma relação mutualmente prejudicial de amor/ódio ("Fuck me if I say something you don't want to hear from me/Fuck me if you only hear what you want to hear from me") se revela implacável, com uma tendência ao punk rock. M. McCready: Eu cheguei com um riff e nós começamos a fazer uma jam com ele. Detonou ao tocar. Na versão que efetivamente acabou lá [no álbum], no meio da canção, o Matt perdeu o seu fone de ouvido. Ele disparou. Esta é a minha parte favorita da canção, os complementos malucos da bateria. Eu gosto do solo também, mas os complementos da bateria são tão insanos, de tão bons que eles são. Ele estava tocando sem os fones, só olhando o baixo. M. Cameron: Sabe eu olhando os dedos do Jeff e esperando estar no ritmo? Há uma interrupção em que fica só eu e o Jeff, eu bati num prato, movi minha cabeça e o fone voou. Um trivial ponto de interesse para o ouvinte!
Revista: Uma canção estruturada de maneira pouco usual, de alguma forma similar a "Light Years" do "Binaural" (2000). Vedder empresta a frase título da canção dos Beatles "All You Need Is Love" antes de um intenso refrão, reforçado pelos acordes do órgão de Boom. Posteriormente, Vedder homenageia os 9 fãs que morreram durante um show do Pearl Jam, em 30 de junho de 2000, no Festival de Roskilde na Dinamarca. E. Vedder: Eu comecei a me refugiar em regiões de surfe há cerca de 5 ou 6 anos, como uma forma de renovar qualquer coisa que eu tinha perdido estando à volta de muitas pessoas. Eu apenas ia para onde não houvesse nenhuma pessoa! Nesse lugar onde literalmente as estradas terminam...não há atenção pública. Uma cidade muito pequena..eu encontrei na ilha um cara do tipo "Big Kahuna". Um amigo dele era esse outro cara que era um músico. Havia outro cara na ilha que estava gravando lá com [músicos] locais. Ele faleceu; um cara jovem. Ele deixou esposa e filho. Eu nunca ia para cerimônias ou qualquer coisa, mas eu fui para este velório em um grande pátio. Músicos estavam tocando durante toda a noite; os caras com quem ele gravou. Era muito intenso e muito triste. Eu notei um cara tocando [órgão Hammond B3], simplesmente excelente! Eu dei de cara com ele umas outras vezes e então eu disse que nós deveríamos tocar juntos alguma vez. Eu tinha um pequeno aparelho de gravação para quando eu quisesse escapar e compor algo. Ele apareceu e nós começamos a tocar. Naquela noite nós escrevemos o que se tornou "Love Boat Captain". Em uma hora, nós tínhamos essa coisa, colocamos no stereo e tocamos alto. Naquele momento, era provavelmente uma versão com cerca de 11 minutos. J. Ament: A demo para aquilo foi chamada de "Boom B3". Nós tocamos uma versão dela, e então ela foi re-arranjada. M. Cameron: Não havia qualquer letra quando nós a registramos, daí nós fizemos o que achávamos que seria bom, uma versão instrumental compacta, que posteriormente teria vocais nela. Quando nós a registramos, era como 'Ã? O que é isso?' Não fazia nenhum sentido para mim. Mas, quando os vocais foram adicionados, ela fez um sentido completo para mim e isso elevou a composição inteira.
Revista: Uma das faixas de destaque do álbum, especialmente pelas progressões criativas de guitarra e uma inesperada mudança de tonalidade para o refrão. Vedder conduz a uma poderosa salva no encerramento, enquanto ele pondera a casualidade da vida: "Everyone is practicing, but this world's an accident." S. Gossard: Matt Cameron fez a música e então o Ed compôs a letra para ela, que eu acho uma das mais belas letras no álbum. É uma canção muito legal. É um pouco mais direta do que "Evacuation" [contribuição de Cameron no Binaural].
Revista: Musicalmente, uma obscura reflexão sobre os riscos da complacência, coberta por riffs simples de rock, harmonias vocais pouco usuais e um solo cortante de McCready. M. McCready: Essa é uma divertida pra tocar! S. Gossard: Aqueles grooves grandes, simples são os meus favoritos pra tocar. E eles permitem a mim e ao Mike McCready nos movimentarmos vaidosos pelo palco! J. Ament: Era apenas um riff que eu tinha e eu tinha uma melodia vocal em minha cabeça para ele. Eu estava pensando em algo como o Guided By Voices ou alguma coisa assim.
Revista: O primeiro single do álbum é também, defensavelmente, sua melhor faixa, com uma cadência [que convida] a cantar junto, comum em alicerces fundamentais da banda, tais como "Better Man" e Elderly Woman behind the Counter in a Small Town". As letras são claramente influenciadas pelos eventos de 11 de setembro ("all the innocence lost at one time") e a variedade de incertezas que se seguiu a isso. M. McCready: Ela me tocou imediatamente. A letra dele [Vedder]: "the in-between is mine". É como uma afirmação positiva do que fazer com a vida de alguém. Eu nasci e morrerei, mas entre isso, eu posso fazer seja lá o que eu quiser ou ter uma opinião sobre algo. Ela me parece muito positiva. Significou muito para mim e ainda significa quando eu a escuto. M. Cameron: Ela parece ter todos os elementos pelos quais esta banda é conhecida: letra forte, pegada forte e um bom senso de melodia. Na verdade, não foi uma decisão difícil tê-la como o ponto de partida do álbum.
Revista: Uma balada amplamente acústica, tocada previamente por Vedder com uma guitarra acústica, que segue o estilo de Bruce Springsteen no álbum "Nebraska". O ardiloso pedido por redenção do narrador é manifestado por uma melodia sentimental, decorada por banjo e órgão. S. Gossard: Essa é uma verdadeira performance ao vivo, com um monte de ambiência [da sala onde foi captada a canção]. Somos nós tentando acompanhar as mudanças de acorde! Há um baixo e bateria agradáveis. O sentimento da canção é maravilhoso. J. Ament: Nós estávamos fora da sala tocando a canção e aprendendo. No processo, [o produtor Adam Kasper] veio e ligou os microfones, tudo ás escondidas. De repente, quando nós estávamos prontos para tocá-la, estava à altura, ele a capturou. Agarrou. Isso para mim foi realmente crucial e é como o álbum soa. Um monte de vezes, há aquela coisa legal quando você não conhece a canção e todos estão concentrados. Isso dura 4 ou 5 tomadas e, então, se vai. Depois disso, tudo fica cerebral.
Revista: Uma das canções de sonoridade mais estranha já feita pelo Pearl Jam, com riffs de guitarra com reverberações e uma batida funky, envolvente. Uma quebra no meio [da canção] tem Vedder repetindo em falseto a frase título, enquanto a guitarra de McCready emite sons psicodélicos... S. Gossard: É arranjada para bateria, mas você pluga sua guitarra nela. Então, em vez do arranjo estar no som da bateria, a guitarra aparece cada vez em que há uma batida. Três arranjos diferentes sobre três partes diferentes. Matt Cameron veio com isso e foi um momento de inspiração, com certeza. M. McCready: Perspiração para mim! Eu delirei com ela. Ela me lembrou um pouco de The Cure talvez, ou algo que esta banda nunca experimentou antes. Sabe, eu realmente fiquei muito empolgado e orgulhoso de tocar esta canção para todos os meus amigos, 'Confira esta aqui! Tem uma forma diferente de vibração.' M. Cameron: Eu simplesmente a gravei em casa. Eu tinha composto alguns riffs, os juntei, como eu sempre faço. Eu tinha arrumado um equipamento [drum machine*] que permite a você fazer arranjos e daí tocá-los em qualquer aparelho de audio que você plugar. Era mais um experimento para usar os arranjos dessa bateria [drum machine]. Isso ficou legal e os caras realmente gostaram. Eu levei essa minha bateria pro estúdio, conectei ao computador e fiz os arranjos. Eddie finalizou uma pequena letra que ele fez para ela. J. Ament: Sabe o que esta canção me lembra, não apenas [ela], mas quando uma canção é composta a partir de um efeito? "How Soon is Now" [The Smiths]. Ela tem totalmente este tipo de vibração.
M. Cameron: Sim, eu não estava planejando isso. Mas, depois do que nós fizémos, foi como: 'Uau. Essa é a minha "How Soon Is Now"! Sim!' Eles mantiveram todas as minhas partes de guitarra base. Eu adicionei outra parte de guitarra no estúdio. A guitarra e a bateria são minhas.
Revista: O acrobático arranjo de baixo de Ament e duas guitarras tocadas de forma igual dirigem este rock firme, novamente realçado por um excelente solo de McCready. M. Cameron: Repetição! Esta é a explicação! J. Ament: Não seria aquela estranha marcação de compasso também? Há um empurrão para frente.
Revista: Um riff rápido, fixante, na linha da canção "MFC", 'bate' em um refrão mais poppy. A melodia principal tem um ótimo trabalho instrumental liderado pelo galopante baixo de Ament. E. Vedder: É como, ok, eu não estou dizendo que o capitalismo é o que está errado. É mais sobre responsabilidade das corporações. Você não pode me dizer que não há outras formas de tornar isso bom para as pessoas. E, equiparando, eu sinto que é o que nós temos feito com o grupo. De uma forma, nós somos um pequeno negócio. Nós empregamos pessoas. Estas pessoas se tornam como uma família e são tratadas bem de verdade. Nós não permitimos que elas dêem entrevistas [risos]. Brincadeira. Eu estou satisfeito com o jeito com que temos feito nossos 121\2 cents [gíria pra dinheiro, ganho] M. McCready: Eu amo esta canção. O refrão é tão cativante. S. Gossard: Há uma coisa similar com "MFC" [Yield, 98]. A melodia vocal é tão perfeita. J. Ament: O tempo todo eu pensei nos primeiros álbuns de Joe Jackson. Tocando com a palheta, mas tocando um arranjo de baixo que é tocante. Ed tinha um tipo muito específico de som para a música toda. Ele queria que o baixo e a bateria tivessem quase um som mais tênue entre eles. M. Cameron: Nós estávamos tentando deixar tudo fluir nessa canção. Nós tentamos como um grupo, e não funcionou. J. Ament: Ficou muito vasto. M. Cameron: Todos não estavam tocando juntos no ritmo. Então, nós separamos a bateria, o baixo e o Eddie, daí adicionamos as partes em cima disso. Nós tentamos manter isso muito compacto. Pequenino, mas grandioso. J. Ament: Nós tiramos fora dela muito da suavidade. Você ouve o ataque dos instrumentos.
Revista: Quase tão bizarra quanto "You Are", essa canção contém riffs agitados, não melódicos e várias transições musicais que parecem desconectadas. Vedder lamenta "help me" com uma voz frágil, enquanto McCready "geme distante" com autoridade. S. Gossard: Jeff tinha uma demo completa, da qual nós praticamente recriamos, exceto o final que era dramaticamente mais longo e mais exploratório, bem como os vocais. Jeff compôs a letra e a melodia. Ele estava cantando em um falseto na demo. Ed estava experimentando com isso, mas daí eles trouxeram o vocoder. Todas aquelas coisas que soam como teclados, são na verdade, [nós] cantando e tocando [no vocoder]. Eu adorei que o Ed permitiu a si mesmo, experimentar com sons vocais realmente estranhos. M. McCready: Ela é obscura. Jeff Ament te deixará sombrio, tanto na letra como musicalmente. Eu nunca o imaginei desta forma, porque ele nunca é desse jeito quando você conversa com ele. J. Ament: Na demo, os versos eram cantados num verdadeiro falseto. Eu queria que houvesse uma dicotomia entre os sons do refrão e o verso. Ed pegou um vocoder e levou para outro nível. Isso é tranquilo para mim. Se você traz uma canção e a banda a torna mais esquisita, é sempre um prazer para mim. Se a banda quer deixar certinha, normalmente é uma coisa dura pra mim. Ela se tornou menos uma canção para guitarras, que é legal. Originalmente, a parte de guitarra no refrão era realmente uma parte muito proeminente, mas, agora, não é tão proeminente.
Revista: Um ataque verbal lamoso, levemente humorístico, ao presidente George W. Bush, com Vedder optando por falar ao dar suas opiniões satíricas ("A confidence man, but why so beleguered? He's not a leader, he's a Texas leaguer"). Ele emite a palavra "changes" (mudanças) repetidamente em uma sonoridade agourenta. S. Gossard: Eu a compus. Foi composta ao mesmo tempo em que nós estávamos juntando [canções novas] para o Bridge School (outubro de 2001). Foi um outro experimento que funcionou muito bem. É tão satírica. As pessoas irão se divertir com ela. J. Ament: Tudo que o Stone trouxe era meio obscuro. A única letra era "blackout weaves its way through the city". Que é um trecho totalmente pesado. O jeito com que o Ed escreveu a letra em torno disso, era quase um tipo humorístico. Isso tornou a canção mais arrepiante para mim. Levou algum tempo para mim, porque, originalmente, ele cantava os versos da canção e ele tinha uma melodia muito legal. Eu tive dificuldade [em acostumar] sem aquilo [vocal cantado].
Revista: Um franco devaneio blues aparentemente inspirado por Led Zeppelin e Rolling Stones, acrescentado por algumas passagens instrumentais extensas. S. Gossard: Um rock do Jeff Ament. Ele veio com "Ghost" e com "1\2 Full" - ele tinha as partes básicas. Literalmente, ele as mostrou para mim. Então, todos vieram e tocaram duas ou três vezes, daí elas estavam concluídas. Ed também chegou e cantou conosco ou colocou as letras, ao longo da semana seguinte. Nós literalmente tocamos essas canções duas ou três vezes antes de gravá-las. Há um pouco de crueza. Você pode ouvi-la na bateria. J. Ament: Essa foi como um acordo no último minuto. Nós chegamos e começamos a tocar. Matt veio e nós fizemos sair [a canção] em uma hora. Ed, em poucos dias, tinha letra para ela. Eu me ausentei por um dia e, de repente, a letra dela estava pronta!
Revista: 90 segundos de cânticos sem palavras de Vedder, envolto por um grande coro de vozes em tonalidades variadas. S. Gossard: Todos os vocais do Ed. 10 amostras de grave, médio e agudo. Ela toma conta dos alto-falantes, quando você aumenta o volume. É bem maravilhosa. M. Cameron: É algo como "essa canção é muito curta". Eu queria ouvir uns 30 minutos daquilo ou mais!
Revista: Um belo lamento, largamente acústico ("It's a hopeless situation/and I'm starting to believe/that this hopeless situation/Is what I'm trying to achieve"). Mantendo o amor da banda por [canções] introspectivas, musicalmente catárticas, para finalizar os álbuns. S. Gossard: Eu a compus. Um monte de álbuns possui canções mais lentas, mais reflexivas no final. J. Ament: Uma canção muito triste. Ed disse que é a "Indifference" [última faixa do "Vs", 1993] deste álbum. E está correto.
O texto acima é uma tradução da matéria publicada no site da revista Billboard, pelo jornalista Jonathan Cohen. O Pearl Jam é uma das mais importantes bandas de rock. Fato. Enquanto o nü-metal abaixa seus faróis e se rebaixa refazendo os dois primeiros álbuns do Korn para o consumo de massa, e o pop-punk se foca firmemente na questão dos rituais de namoro no colegial, só poucas bandas se atrevem a entrar no campo minado da crítica social. O Pearl Jam está na liderança deste bando. Mas Riot Act não é totalmente no estilo Rage Against the Machine, um álbum inteiro de rock político - na verdade é um disco que procura analisar tanto a matança como a confusão no mundo pós-11\09, e o tormento interior que vem no dia-a-dia da existência humana. "It's already been sung, but it can't be said enough, all you need is love", canta Eddie em "Love Boat Captain". O fato do Pearl Jam ainda estar aí, de qualquer forma, é bastante surpreendente. Eles sobreviveram à batalha legal com a Ticketmaster, numerosas crises pessoais e uma vendagem de discos mais baixa, para se encontrarem onde estão hoje; de certo modo, uma das bandas mais cultuadas no mundo hoje. Mas o que é mais incrível, é que eles ainda estão atravessando fronteiras, se recusando a descansar. E, enquanto eles já tiveram um enorme arsenal de ótimas canções no catálogo passado deles, você tem a sensação de que eles ainda têm o melhor disco deles para tirar da manga. Não é bem assim, mas, entretanto, é uma fascinante jornada musical. Em termos de som e espírito, o Pearl Jam ainda está olhando para o catálogo do Neil Young como a bíblia deles. A influência de Neil Young é aparente em "Save You", "1\2 Full" e "Ghost", números de rock fortes, fluidos, que são tanto apaixonantes como são ruidosos. Mas, longe de se agarrarem a meia-idade, na comodidade do tedioso blues rock, a tropa de Vedder tem toda espécie de idéias para uma rajada à frente. Pegue "You Are" com sua excentricidade, seu groove levemente sujo, recheada de efeitos de guitarra, depois dando espaço para uma parte com um belo piano e harmonia. Por outro lado, "Bushleaguer" é um número basicamente recitado com um refrão lânguido, em que Vedder divaga quase impenetrável sobre como as pessoas com poder são frequentemente aquelas com menos noção de como usá-lo, "the haves have not a clue", ele conclui. Enquanto os sons mais barulhentos, esquisitos, nos dão a certeza de que o Pearl Jam estão distante de uma exaustão, é quando eles relaxam e deixam a melodia fluir, que eles verdadeiramente atingem outro nível. "Love Boat Captain" é o primeiro desses momentos, rolando sobre uma melancólica melodia de órgão e se estruturando para um grande final. O álbum inteiro, no entanto, tem o single "I am mine" e a faixa seguinte, "Thumbing My Way", como seu eixo central. O primeiro é uma correspondente de "Daughter" e "Elderly Woman Behind the Counter in a Small Town", formidavelmente produzida; enquanto a última, é, possivelmente, a mais bela balada já feita pelo Pearl Jam. O Pearl Jam tem se direcionado para criar um nicho que se encaixa a eles perfeitamente. Eles são uma banda famosa, mas com uma atitude ferozmente independente; uma banda que possui uma das maiores bases de fãs no mundo, e ainda tem se livrado de se tornar o centro de atenção de todos. Eles fazem o negócio do jeito deles e, como resultado, têm conseguido reter o senso de empolgação que vem ao se fazer música em formas novas e interessantes, inspirando outras pessoas. Esse álbum põe todos esses elementos juntos, como um intricado quebra-cabeça; é ocasionalmente agressivo; com mais frequência reflexivo. São composições fantasticamente de punk rock, fora de seu estado comum, e baladas de cadência penetrante, revelando os ricos tons vocais de Vedder. São canções de amor, canções de perda, canções de protesto e canções de esperança. Nenhuma pedra emocional ou musical é deixada de ser removida, e você não pode pedir por mais do que isto." Revista Kerrang!UK, nota 4 de 5, novembro 2002
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