Ok pessoal, aqui está. Desculpe ter demorado tanto, mas eu não terminei a entrevista antes das 8:15 da noite de sexta feira, e alem disso não estava com paciência de perder 2 horas transcrevendo, vocês entendem né..
Primeiro gostaria de agradecer a todos que enviaram perguntas e me desejaram sorte. Eu definitivamente estava muito nervoso. Depois, por favor não fiquem chateados se não usei a pergunta que você me enviou, eu só cheguei na metade da minha lista de perguntas. O Mike é um cara bem a vontade e fala bastante. Eu não pude tomar muito tempo antes do show. Ele é extremamente gente boa e bem legal.
Pra quem se chateou em eu publicar uma entrevista pessoal, bem é como se eu fosse um repórter de um jornal e obviamente tudo que o Mike disse ele queria que fosse dito a todos.
É isso, palavra por palavra:
MM: Olá, como você está Chris?
CG: Ótimo. Obrigado por dar esse tempo pra mim antes do show.
MM: Sem problemas cara, obrigado por tua ajuda.
CG: Então, como você se sente voltando do trabalho depois de um mês de descanso?
MM: Eu me sinto ótimo. Eu estive meio que ocupado nesse tempo de folga, eu fiz alguma caridade para a organização Crohn, que é a doença que eu tenho. Eu tenho essa doença chamada Doença de Crohn. Então eu estava ajudando esse grupo chamado CCFA, a divulgar eles. Eu fiz um show beneficente em Seattle para divulgação.
CG: Desde que você tornou isso público, você tem dito que iria ser meio estranho fazer publicidade pra alguém sem o nome Pearl Jam te ajudando. Como foi essa experiência?
MM: Foi tipo, um pouco estressante mas foi bem legal. Acho que foi uma das melhores coisas que tive sorte de participar até hoje, penso assim refletindo agora tudo isso. E o pessoal da banda apareceu, o que foi muito legal, eu fiquei muito surpreso e feliz. Jeff tinha viajado de manhã, voltou e me surpreendeu mesmo! Vou te falar Chris, foi uma caridade bem diferente, num nível superior do comum pelo retorno da comunidade e pelas coisas que aprendi, tendo a oportunidade de conhecer outras pessoas com a Doença de Crohn. Ser parte disso foi uma coisa que me entusiasmou muito.
CG: Então essas férias curtas foram boas pra você?
MM: Sim, estive muito ocupado, não foi bem férias. Eu tava pensando, fiz um show beneficente, dei um discurso, etc.. e então me senti tipo “Oba, estamos no meio da turnê de novo”. Normalmente quando eu estou de férias eu penso sempre tipo “Cara, vamos sair em turnê logo..” Esse tempo simplesmente voou.
CG: É bom voltar ao palco, você ta curtindo?
MM: Eu to amando. Eu realmente estou feliz por já termos voltado. Nós tocamos aquele show em Montana outro dia e foi muito bom.. O público estava fenomenal, gritando.. Eu nunca tinha escutado eles gritarem tanto, sei lá. Foi tipo “Somos nós no palco ou são os Stones?” Foi muito bom.
CG: Que ótimo, eu acho que é o menor lugar da turnê, ótimo ouvir que lá tem bons fãs.
MM: É , eu acho que é, tinha só uns 7000 fãs ais ou menos.
CG: Eu realmente quero falar sobre os shows, porque é isso mesmo que parece separar vocês das outras bandas. A banda está curtindo tocar ao vivo?
MM: Eu acho que mais do que nunca. Todos nós crescemos juntos, nós sabemos como tocar juntos intuitivamente. Eu nunca vi o Ed cantar melhor a minha vida toda, e tenho dito isso, reforçando, em um monte de entrevistas. Ele estava cantando de um jeito tão fenomenal outro dia no show. Como no final de Daughter, ele viajava e cantava o que passava pela cabeça dele e ele só estava começando a se empolgar. O Vedder cantando tão bem, juntando com o Boom, nosso novo tecladista.. O cara tem sido fantásito, é fenomenal. Ele acrescentou todo um novo elemento na nossa música, quando tocamos músicas mais antigas como Black e Betterman e quando tocamos músicas novas também. O teclado acrescenta muito e é uma ocisa que sempre quisemos ter na banda há muitos, muitos anos.
CG: Ele tem levado Crazy Mary a níveis nunca antes imaginados.
MM: Exatamente!! Viu.. obrigado por notar isso, ficou bem pesada, roqueira e nunca tinha sido assim antes.
CG: Eu acompanho vocês desde o começo, e fui uma porrada de shows, incluindo 4 shows até agora nessa turnê. Eu acho que vocês parecem mais, não sei se felizes é a palavra certa, mas parecem estar mais descontraídos e se divertindo mais nessa turnê que nas turn6es passadas. Você concorda?
MM: Claro, acho que estamos nos divertindo. Eu acho que nós sabemos onde estamos agora, em nossas vidas pessoais. Não tem sido loucura (nesse ponto o Mike para um pouco e chama alguém no camarim, o Ed talvez?) como no começo da banda. Nós estamos mais ligados no som e na música que na loucura e na atitude que estava acontecendo antes. Nunca vamos esquecer de tudo aquilo. Eu acho que agora estamos indo nesses lugares e tocando e as pessoas estão interagindo com isso, dando um retorno incrível. E isso Chris, para nós é totalmente recompensador. Tipo, cara.. as pessoas ainda estão indo ver a gente tocar. O que é melhor que isso? E estamos tocando cada vez melhor, então aí está a coisa legal. Eu fico feliz que você tenha notado isso. Nós estamos com menos raiva agora.
CG: Ninguém gosta dessa palavra mais.
MM: Risadas.
CG: Falando sobre os fãs ainda irem aos shows, Eu levei minha namorada no primeiro show do Pearl Jam da vida dela e ela ficou sem saber o que dizer, completamente surpresa.
MM: Qual Show??
CG; Oklahoma foi o primeiro dela, depois fomos a Nashville.
MM: Po, ótimo!! Legal! ( O mike realmente soou entusiasmado, nào foi só pra agradar)
CG: Eu não sei se vocês sabem o que estão dizendo por aí, mas os fãs estão dizendo que essa turn6e é uma das mais fortes da carreira de vocês. Te satisfaz isso, tipo, depois de uma década vocês lançando ótimas músicas e conquistando novos fãs?
MM: Sim, se estamos ganhando fãs eu simplesmente estou pulando de alegria. To completamente emocionado por isso. Eu to emocionado por saber que temos uma legião de fãs tão dedicados e apaixonados pela banda por tantos anos, mas atrair de verdade novas pessoas, mais jovens ou quem quer que seja que queira vir nos shows e se divertir, que está correndo atrás pra saber de nossas músicas e sobre a banda.. é a melhor coisa do mundo. É muito excitante, me deixa feliz. É dificil acreditar, eu me belisco pra ver se não é sonho, me perdoe o clichê, mas é verdade. É estranho. Eu me sinto recompensado totalmente em saber que as pessoas estão indo aos shows, e que temos novos fãs pra ver o que estamos fazendo.
CG: Você mencionou estar feliz, eu não preciso ser específico porque não é minha vida nem me interessa. Mas eu venho ouvindo o Ed fazer várias referencias a suas namoradas apoiando e incentivando vocês na turnê, e as letras modificadas por ele falando tanto de amor. O amor tem sido um tema muito relevante nessa turnê. É o que parece ser?
MM: Claro. Tudo isso é verdade, tudo isso vem ao caso. Eu acho que o Ed ta muito bem agora. Eu sei como ele é, eu conheço ele por estarmos sempre tão próximos e eu observo como ele está tocando, como ele está mudando as letras e como ele está interagindo com a banda e agora ele ta mais aberto conosco, jogando ping-pong, ou fazendo qualquer coisa que nós estejamos fazendo. Todas essas coisas que não parecem ser importantes mas são importantes no nosso mundo. Com certeza, eu acho que estamos mais confortáveis e acostumados com quem somos.
CG: Ok, parece que voc6es estão se divertindo no palco também. Como foi ver o Jeff jogando um bolo de aniversário na sua cara?
MM: Ah é! Ele jogou bem forte até. Demorou uns dois dias pra conseguir tirar tudo da minha orelha. Eu fiquei tipo “Meu Deus, ainda tenho essa porcaria dentro da minha orelha”. É, nós sempre fazemos essas comemorações de aniversário e sempre tem torta na cara e quase sempre o Jeff que era atingido todos esses anos. Eu pensei que ia me livrar dessa vez, mas não, machucou um pouco até.
CG: Posso imaginar. Sem as lembranças de Roskilde tão recentes nas suas mentes, essa turnê foi mais tranqüila ou foi sentida de forma diferente por vocês que a de 2000?
MM: Com certeza, claro. O peso daquilo tudo ainda dá pra sentir. É algo que vamos carregar pra sempre. Acho que separamos.. não, nào acho.. acho que agora vivemos com isso. É uma parte de nós, se eu pudesse falar por todos da banda e nào sei se devo, mas por mim, é assim. Eu vivo com isso e penso nisso quase todos os dias. É alguma coisa próxima. Não é tào recente como era, obviamente, logo depois da tragédia; mas ainda está presente em músicas como Love Boat Captain entÃo toda vez que tocamos ela eu realmente penso nisso.
Cg: Você disse uma vez que a banda soa melhor ao vivo que em estúdio, que ao vivo é diferente pra você. Não que vocês precisem melhorar no estúdio, mas porque tocar ao vivo é tão diferente?
MM: Eu acho que há alguma coisa espiritual ao vivo, entre nós cinco, que engrandece. Nós aprendemos um com o outro, nós tocamos um pro outro. É mais legal. Tem algo a mais. O Ed sempre se supera. O Matt leva pra outro nível isso tudo. Eu só consigo achar que estou completamente desligado do mundo quando estou tocando ao vivo. Acho que toco melhor ao vivo que no estúdio. O porquê eu não sei. Obviamente a interação com o público é o mais empolgante. Você fica tão fora de si, toda essa energia que vem do público te faz tocar o melhor possível. E eu nunca me satisfaço. Quero ser melhor e melhor e melhor.
CG: Isso vai ser difícil! ( Mike fica rindo) Uma das coisas que as pessoas estão notando na força dessa turn6e é a variedade de setlists. Eu fiu a 4 show e ouvi 63 músicas diferentes. O que faz vocês pensarem tipo: “Hum, acho que hoje vamos tocar Deep pela primeira vez em 8 anos” ou voltar a tocar Glorified G?
MM: Nossa, você contou as músicas é? Que legal.
CG: Bem.. sim eu ouvi 4 músicas diferentes abrindo os shows, 4 músicas diferentes fechando os shows. Eu sabia que tinha ouvido muitas musicas diferentes e fiquei curioso. Eu ouvi Deep em Oklahoma, a primeira vez que vocês tocaram ela desde 1994 mais ou menos. É um desejo momentâneo e que voc6es acabam acatando?
MM: Não, é algo que nos toma uns 30, 40 minutos até mesmo uma hora antes do show. Nós vemos as músicas que tocamos na noite anterior. O Ed tem uma lista de todas. As vezes Stone faz a setlist, as vezes Jeff e eu ajudo ele um pouco, mas na maioria das vezes é o Ed. Nós fazemos a mão, toda noite. É por isso que acontece isso.
CG: Essa é a mesma razão pra banda decidir engavetar algumas músicas que não são tocadas por muito tempo?
MM: Se começamos a tocar elas mal, nós engavetamos (ele ri). Eu acho que Deep é boa, mas acho que não fomos justos com ela. Acho que foi essa a razão de não tocar ela por um tempo. Essa é uma ótima pergunta.
CG: O mesmo acontece com Why go, Leash ou algumas do No Code que não são tocadas muito?
MM: Exatamente! Eu acho que Leash, Leash é uma coisa que os fãs realmente querem ouvir mas nós não conseguimos nos entender tocando ela. Acho que precisamos de uns dois ensaios pra ver se conseguimos fazer ela.
CG: Você tem uma música favorita, ou algo que você não tem tocado que gostaria de tocar?
MM: Eu? Nós nem falamos de tocar Why Go. Por mim pessoalmente talvez Garden of Stone. Mas essa é difícil de responder. Não, apaga essa. WMA. Eu adoraria tocar essa novamente.
CG: O Ed cantou algumas vezes ela no tag de Daughter, eu acho que vocês poderiam tirar da gaveta.
MM: Eu acho que podemos agora.
CG: É verdade que você tá cansado de tocar Corduroy todos os shows?
MM: Ai meu Deus!! ( rindo ) Você fez mesmo o dever de casa hein!!
CG: ë uma das minhas músicas favoritas, quando ouvi que você não gostava de tocar ela, fiquei triste.
MM: Eu não estava bem naquela turnê, agora eu estou adorando tocar ela. Sério, to sendo honesto. Nós tocamos ela ontem a noite.
CG: Eu ouvi você tocando novos solos nela, então você está dando vida nova a ela também.
MM: É verdade. Mudei meu sentimendo por ela. Eu acho que quando eu disse isso, o cara falou tipo “Tem alguma música que vocês odeiam mesmo tocar?” Eu não consigo lembrar a pergunta exata mas eu nunca realmente odiei ela. Eu estava cansado de tocar ela na época, mas agora sou louco por ela.
CG: Os fãs do Peal Jam são muito sortudos nisso porque agora é uma época que a música inteligente não está muito popular. Parece ser tudo putaria, coisas sem sentido na radio - mas vocês ainda fazem música inteligente. Você se sente bem fazendo o tipo de música que vocês querem mesmo sem “vender” elas pro rádio?
MM: Sim, eu me sinto bem. Tem coisas nossas que eu adoraria se tivessem tocado mais na rádio, mas se não acontece é algo que não temos controle.
CG: Vocês com certeza não forçam isso.
MM: Não, nós não. Nós não nos sentamos e pensamos “Vamos fazer uma música pegajosa agora”. Para nós isso seria errado. Para as bandas que fazem isso, está certo. Mas pra nós não tem sentido. Eu estou exagerando agora, mas é bom apenas poder fazer música. E relembrando quando estávamos escrevendo (para o ultimo álbum) Ed escreveu umas 10 músicas no Ukelele. Isso é totalmente sem compromisso. E disso veio Can’t Keep.
CG: Você falou da banda se alimentando do público. Não te impressiona quando todos sabem cada palavra da letra de uma música que não foi muito tocada no rádio? Eu estava em Nashville e Ed esqueceu o último verso de Love Boat Captain e todos cantaram tudo pra ele, bem alto.
MM: Me impressiona, completamente. Tipo.. Nossa! O público obviamente se liga nisso e se empenha em cantar as letras. Isso me impressiona e me faz querer tocar cada vez melhor. Eu estou totalmente ciente disso, tipo “Meu Deus, eles estão cantando todas as letras, por inteiro. Eles sabem melhor que eu, e eu sou da maldita banda!!” E é verdade!!!
CG: A banda não fica chateada quando o Ed esquece das letras?
MM: Claro, com certeza.
CG: Porque eu sei que os fãs ficam.
MM: Eu fico, mas tipo, olha pelo lado dele - como ele lembra uns 99% delas?
CG: É, eu acho que você está pensando num total de 70 músicas.
MM: Um verso de uma música, entre 70 músicas.. Em 70 músicas com certeza eu vou esquecer alguma parte da guitarra. Eu e Stone estávamos repassando Even Flow hoje!!
CG: Sério?!?!
MM: (Rindo) Nós esquecemos de como tocar uma parte de Even Flow. Eu vou entregar agente agora, mas tivemos que repassar aquela parte Did-di-did-di-did-di-did-a-daaaaa’ hoje. ( Ele falando isso e fazendo o som foi hilário)
CG: os solos ainda são divertidos pra você?
MM: Ah, eu amo eles. Sim. Eu me forço a tocar no limite. Essa é a coisa que falei que nunca vou conseguir ficar satisfeito. Tem noites que sim, mas eu quero fazer melhor do que posso.
CG: Asempre tentando alcançar mais?
MM: É, eu acho.
CG: A liberdade de expressão ainda estará presente no palco na 2ª parte da turnê?
MM: sim, com certeza.
CG: Você falou sobre estar impressionado com os fãs, mas alguns deles ficaram desapontados com alguns comportamentos durante Bu$hLeaguer. Isso desapontou a banda?
MM: Não, faz parte disso. Eles também tem a liberdade de se expressar. Faz parte de ser Americano.
CG: Sua decisão de engavetar ela é discutível? A banda sempre acreditou em suas crenças, e eu sei que você acreditou nessa música. Essa situação foi diferente a ponto de você falar sua opinião publicamente e dizer que não irá tocá-la mais?
MM: Nós poderemos tocar ela ainda. Não é que não vamos tocar ela. Como eu disse nós fazemos o setlist 30 minutos antes do show cada noite, e é aí que decidimos tocar certas músicas ou não, ela é um caso assim.
CG: Eu tenho quase certeza que ouvi um pedaço de Bu$hleaguer Em Yellow Ledbetter no show em State College.
MM: É verdade, era sim.
CG: Por falar nisso, State College, Minha nossa.. 36 músicas, o maior show da banda até hoje. E uma ótima tentativa em Satan’s Bed.
MM: Ah meu deus, aquilo foi horrível (rindo). Nós fomos tão mal nela.
CG: E depois o show em Missoula teve 31 músicas. Vocês sabem de antemão quando vão tocar tantas músicas?
MM: Não, só acontece. Geralmente acontece, mas nós não falamos: “Ok, vamos tocar tantas músicas hoje a noite” Só acontece. Se todos estamos de bom humor, e tocando bem, com o público empolgado, vamos continuar fazendo isso.
CG: Então, estou escrevendo um preview de como será o show em Little Rock, vocês não vão lá desde 1993.
MM: Nossa.
CG: Bem, é compreensível. Por alguma razão o PJ não vai tão bem em shows no sul. O que acontece, público menor afeta a performance da banda?
MM: Ah, não. Eu acho que tocamos melhor nessas ocasiões, de vez em quando, quando eu penso: “ah, não vendemos muitos ingressos aqui” ou algo do tipo. Mas ainda acho que tocamos bem nesses lugares, as vezes até melhor. É tudo algo que aprendi com p Neil Young um bom tempo atrás - Nós teremos fãs indo ao show, então não teremos, então teremos novamente. Se tudo der certo essa é o jeito de você continuar a ter uma carreira. E estamos indo muito bem. Aparentemente há muita demanda de shows por aí ainda.
CG: Além de não tocar desde 1993 lá você sabe que vai haver alguns fãs que nunca viram a banda antes.
MM: Ah, eu sei e tomara que eles voltem. Vai ser um show empolgante. Talvez vamos tocar 3 horas, vai saber..
CG: A performance do PJ é tão pura, só 5 caras, bem, 6 agora, sem um show de luz e de palco muito elaborado. Você acha que esse jeito de fazer shows sustentou a banda?
MM: Eu acho, porque focamos basicamente na música, ao invés de muitos spots de luz e atear fogo a si mesmo. Eu acho que nos sustentou. Nós temos um pouco de efeitos de luz com Keely cuidando disso.
CG: ‘You Are’ é incrível
MM: É, essa é uma bem legal. Eu fico lisonjeado de você mencionar essa, porque é uma que os outros fãs estão adorando também.
CG: Vocês estão se fortalecendo. Você acha que o futuro daqui uns 5, 10 anos será bom pra vocês?
MM: Eu certamente espero que estejamos juntos daqui 5 anos, ou 10. Eu não faço idéia, eu vivo dia a dia. Eu não faço idéia. Tem muitos fatores para ser ou não ser uma banda. Tentar se empolgar, manter uma boa linha de comunicação entre todos na banda. Se as pessoas ainda quiserem nos ouvir daqui a 5 anos, eu acho que estaremos na ativa. E acho que será ótimo.
CG: São 12 anos juntos agora. Vocês são mais que 5 caras que fazem música juntos. É mais tipo um relacionamento numa equipe esportiva ou tipo um relacionamento familiar?
MM: Eu digo que é como se fossemos irmãos. Irmãos que se juntaram num time esportivo, se é que isso faz sentido. Tem a mesma sensação já que jogamos muitos esportes juntos. Nós temos um amor mútuo, entre cada um.
CG: eu tenho uma pessoal pra você - para todos aqueles que querem tocar Pearl Jam, vocês acham que vão lançar algum music book como fizeram com o songbook do TEN?
MM: Hm, eu não sei te dizer se sim ou não. Muitos desses songbooks por aí estão incorretos.
CG: Eu acho que o do TEN é oficial.
MM: Eu acho que o do TEN é oficial e não acho que tivemos nada a ver com ele.. Bem, nós devemos ter feito algo pra ser lançado, eu não sei.. sei lá. Talvez lançaremos alguns songbooks mas não é nada que temos em mente porque: A) nenhum de nós sabe ler partituras e B) Eu aprendi a tocar guitarra ouvindo LPs, ouvindo LPs do AC/DC.
CG: Eu sei que temos que trazer isso a tona, há uma última coisa que eu tenho que saber de você.
MM: OK.
CG: Alguem uma vez te fez uma pergunta sobre sua lista dos TOP 10 albuns de 2003 e você incluiu o “Let Go” da Avril Lavigne.
MM: Isso!! (rindo)
CG: Eu fico imaginando, se não foi uma piada, você poderia explicar isso?
MM: Na verdade eu gostei do álbum na época. Eu acho que me cansei dele agora, eu ouvi ele tanto que enjoou. Eu não me importei na época. Eu ouvi bastante por pouco tempo e depois enjoei. Então acho que eu falei sério, eu curti o album.
CG: Então já que você está na terra natal da Avril (ele estava no Canadá) nós vamos ouvir alguns riffs de Sk8er Boy hoje a noite?
MM: Eu não sei nenhum riff dela! Mas talvez eu faça alguns do Rush.
CG: Uma banda canadense muito melhor.
MM: Sim!!! (rindo)
CG: Mike, eu realmente te agradeço.
MM: Sem problemas..
CG: Agora que acabamos eu me sinto seguro em te dizer, e eu sei que você já está de saco cheio de ouvir isso, mas você foi a pessoa que me inspirou a pegar uma guitarra pela primeira vez e começar a tocar.
MM: Bem, muito obrigado!!
CG: A sua música foi importante pra mim desde o começo.
MM: Legal! Te verei em Arkansas?
CG: Dallas, Arkansas, todos. Eu serei o cara gritando, pedindo uma palheta sua, na primeira fila, se Deus quiser!
MM: Então eu vou jogar uma pra você.
CG: Mal posso esperar, bom show hoje a noite mike.
MM: Obrigado Chris, tchau.