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Resenha do Show em Sydney 2003, revista Kerrang!




11\02\2003, Terça * SIDNEY - Entertainment Centre (abertura: Johnny Marr & The Healers e Betchadupa)

set: Long Road, Grievance, Corduroy, Save You, Get Right, I Am Mine, Immortality, Given To Fly, Even Flow, Wishlist, Thumbing My Way, You Are, Breakerfall, Not For You, Untitled, MFC, Do The Evolution, Spin The Black Circle
enc 1: Love Boat Captain, Better Man, Down (Lado B do single "I am Mine"), Black, Rearviewmirror
enc 2: Indifference

"O problema em gravar cada show e lançá-los em CD como uma bootleg oficial, tal qual o Pearl Jam está fazendo mais uma vez em sua turnê atual, é que tudo que eles dizem e fazem é documentado para tudo e todos ouvirem. Infortunamente, o CD não pode registrar tudo. Então, quando Eddie Vedder brinca com as 12.000 pessoas correntemente captando cada palavra, ao nos dizer o quanto o público em Brisbane, há algumas noites, não foi bom - e, por contraste, o quanto nós estamos sendo bons - a única coisa que não foi gravada foi seu sorriso malicioso. "Então novamente" , ele sorri com sarcasmo, "eu poderia estar mentindo pra vocês."

E exatamente aqui, nessa divertida troca, você tem o espírito do show de hoje à noite; leve em fúria, mas forte em paixão, energia e informalidade. O Pearl Jam parece feliz em estar aqui. Eles parecem à vontade. Eles parecem estar se divertindo. Mais do que tudo, no entanto, o Pearl Jam parece humano.

E, quando Eddie Vedder tropeça e cai em seus amplificadores, depois de 3 canções; ou quando ele conclui "Wishlist" cantando "Waiting on a Friend" dos Rolling Stones, antes de cair na risada; ou quando ele convida o surfista campeão mundial Mark Richards para vir ao palco tomar um copo de vinho durante o primeiro de dois bis, você tem o sentimento da noite de hoje, vale tudo.

Claro que o fato do quinteto de Seattle ter vendido todos os ingressos dos 3 shows nesta arena árida, cavernosa - proibido fumar, pipoca vendida por quem cuida da entrada do local, cervejas caras vendidas na entrada - não afligiu o espírito deles, nem mesmo o fato de que é apenas o terceiro show da turnê do "Riot Act". Mais do qualquer coisa, embora, você sente que os 5 homens sobre o palco (seis quando o tecladista Boom Gaspar se junta a eles) estão simplesmente se divertindo em estar no Pearl Jam.

É desta forma que o guitarrista Mike McCready, recentemente oxigenado, parece muito mais adaptado do que ele tem estado há anos, dando pulos estrelares ao longo do show e tentando levantar o público. Ou, é desta forma que Eddie Vedder ataca sua guitarra com uma verve punk rock, enquanto atrás dele, o baterista Matt Cameron impõe a base mais sólida desde que o baterista Dave Abbruzzese foi demitido há anos. Ou em canções que eles não tocam.

Porque "Even Flow", "Rearviewmirror", "Wishlist", "Immortality", "Love Boat Captain" e "Given To Fly" são tocadas com tanta beleza e firmeza que você nem nota que "Daughter", "Animal" e "Jeremy", foram deixadas de fora do setlist. Uma reflexão tanto da dimensão e qualidade do catálogo passado do Pearl Jam - "Thumbing My Way" é tão comovente quanto qualquer outra coisa tocada hoje à noite - mas também um comentário sobre os fãs da banda, dos quais não se ouvirá qualquer queixa sobre as canções não tocadas, simplesmente por estarem exaltados pelas que foram executadas [no show].

Do começo ao fim, Eddie Vedder permanece como o foco. Apesar de ficar em silêncio por boa parte da noite - levou 6 canções até que ele viesse ao microfone para dizer umas palavras - quando ele fala, ele o faz com humor e desembaraço. Aparecendo com um cigarro na mão no começo do primeiro bis, Vedder insiste em conversar, até que ele termine de fumar descontraidamente, alegremente, "Esse é o único lugar nesse local em que se pode fumar sem pagar uma multa de $500" . Ele também sintetiza claramente a postura firme antiguerra do público australiano, ao concluir que o Primeiro-Ministro John Howard parece estar "fazendo sexo oral com o Bush com os lábios de vocês" . Ocasionando um aplauso animado.

Tudo isso é entretenimento, mas não tão capaz de mexer com a alma como quando, duas horas e quinze minutos depois, o Pearl Jam está no palco, Vedder com seus braços estendidos durante "Indifference" e canta: 'I'll swallow poison/Until I grow immune' com a 'cobertura' do forte coro de 12.000 pessoas. Porque é exatamente aí, com seus pêlos em pé e pontadas na pele que você lembra o quanto música é uma coisa poderosa. E com shows como este de hoje à noite, parece que o Pearl Jam estará nos lembrando disso por um longo tempo.

Nota da Revista ao show: 4 (Máx. 4).


     
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