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O Pearl Jam retorna, em 1998, com esse álbum que apresenta uma sonoridade mais próxima do rock clássico e sem tantas experimentações como as dos anteriores Vitalogy (1994) e No Code (1996).
Na execução de 'Yield' houve uma maior participação de todo o grupo. O baixista Jeff Ament falou sobre isso para a MTV: "Eu acho que nos dois últimos discos, Eddie esteve realmente no comando. Eu lembro que no fim da gravação do último disco, ele falou: 'Acho que foi muito trabalhoso para mim, na próxima vez seria uma boa se eu não tivesse que trabalhar tão duro nos arranjos e se as pessoas viessem com idéias mais completas, com canções mais completas, isto me ajudaria bastante', todo mundo parou pra pensar sobre isso."
Dois meses antes do lançamento do álbum, uma rádio em Nova Yorque tocou as 13 faixas sem autorização da banda ou da gravadora. Uma novidade desse álbum, é que a banda quebrou um jejum de 6 anos sem clipes e lançaram um vídeo sensacional para a faixa 'Do the Evolution', sem a participação da banda. Na verdade é um belíssimo desenho animado executado por Todd Mc Farlane (desenhista da revista em quadrinhos 'Spawn' e responsável pelo clipe "Freak on a Leash" do Korn).
Ao contrário do que muitos pensam, a música 'In Hiding' (algo como 'se esconder') não se refere ao próprio Eddie Vedder. O vocalista disse que ela foi escrita inspirada no recluso escritor J.D. Salinger.
A curiosa faixa escondida no final do disco, depois de 'All those Yesterdays', é de autoria do guitarrista Stone Gossard e se chama 'Hummus'. A banda também lançou um Home Video com ensaios das músicas do álbum, denominado 'Single Video Theory'. Com direção de Mark Pellington (o mesmo diretor do premiado vídeo da música 'Jeremy') e producão de Cameron Crowe (amigo da banda e diretor dos filmes 'Singles' e 'Jerry Maguire'), o documentário mostra o Pearl Jam ensaiando e preparando as músicas do disco, com comentários de seus integrantes. Vale a pena conferir! As fotos presentes no livreto que acompanha o disco, trazem uma curiosidade: há símbolos de 'yield', escondidos em cada uma delas ou pequenas referências ao símbolo. O responsável por essas fotos em preto-e-branco, bem como pela capa, foi o baixista Jeff Ament.
A revista inglesa Kerrang! fez uma análise faixa-a-faixa do álbum, com alguns comentários de Eddie Vedder e Stone Gossard:
BRAIN OF J: Uma faixa exemplar para abertura de um disco. Começa com uma contagem apressada de 1 a 4, e explode em uma pura fúria de punk rock. (Kerrang!)
"'Brain of J' foi escrita por Mike McCready e nós íamos colocá-la em 'No Code' (1996), mas decidimos regravá-la. É uma música de rock divertida." (Stone Gossard)
FAITHFUL: Uma canção de esperança, com o refrão: 'We're faithful, we all believe' e um um ataque frontal de guitarras, após um início suave. Também foi escrita por McCready.(Kerrang!)
"Esta é a minha canção favorita do disco e tem um dos nossos melhores arranjos, graças ao Ed, que nos ajudou nos arranjos." (Stone Gossard)
NO WAY: Começa com uma batida esmagadora - similar, em percepção, a 'When the Levee Breaks' do Led Zeppelin (do disco Led Zeppelin IV) - que é complementada por um riff de guitarra alternante. 'I´ve stopped trying making diference', canta Vedder. Ele também rima 'static' e 'attic' em um trecho. (Kerrang!).
GIVEN TO FLY: O primeiro single é mais uma canção que remete ao Led Zeppelin, desta vez, por causa da similaridade melódica com 'Going to California' (também do Led Zeppelin IV). Ela mostra o Pearl Jam de volta ao clássico estilo 'jogue-se de um lado para o outro, mexa seus cabelos'.(Kerrang!)
WISH LIST: Um tocante lamento é cantado por Mr Vedder, sobre uma introdução constante: 'I wish I was a neutron bomb, for once I could go off? I wish I was a sacrifice, but somehow I still lived on'. Pelo resto da música, ele prossegue desejando ser uma série de coisas, incluindo um ornamento, a estrela de uma árvore de Natal e um alien. (Kerrang!)
PILATE: Um território familiar ao PJ; um começo suave, mais relaxado, seguido por um refrão poderoso e marcante. O título aparentemente refere-se a Pôncio Pilatus, o governante romano que crucificou Jesus.(Kerrang!)
"Esta foi a minha canção favorita por um longo tempo." (Stone Gossard)
DO THE EVOLUTION: Faixa barulhenta com um refrão contagiante: 'It's evolution, baby' e inclui os familiares 'I'm a thief, I'm a liar/There's a church, I sing in the choir', seguido por um coro de vozes angelicais. (Kerrang!)
"Esta foi a última música a ser gravada e eu acho que ela tornou o álbum melhor." (Eddie Vedder)
UNTITLED INSTRUMENTAL (The Colour Red): Um trabalho de percussão com tambores tribais e repiques. Com cerca de apenas um minuto, ela segue lenta até a metade e termina com o som de grilos.(Kerrang!)
MFC: O título refere-se a 'Mini Fast Cars'. A faixa dura apenas 2 minutos e meio. As guitarras de Gossard e McCready soam incrivelmente poderosas ao longo da música, mas tudo termina muito cedo.(Kerrang!)
LOW LIGHT: A primeira canção verdadeiramente lenta do álbum, remanescente de 'Daughter' do álbum 'Vs' (1993). Com uma sonoridade quase natalina - especialmente o solo da guitarra harmônico, bem como a harmonia do refrão.(Kerrang!)
IN HIDING: A canção em que Vedder parece referir-se aos problemas que teve com um fanático que o perseguiu no ano passado (1997). Como também pode ser sobre o seu próprio isolamento. Eddie fala sobre ser prisioneiro de sua própria casa, enquanto seus companheiros de banda "o acompanham nas sombras" até o apoteótico refrão.(Kerrang!)
PUSH ME, PULL ME: Começa com o som de um elevador e um barulho bizarro, que, ao que parece, tiveram 'o dedo' do baixista Jeff Ament. Sobre guitarras distorcidas e uma música de fundo com uma mixagem estranha, Vedder canta, quase falando, uma letra claustrofóbica. É uma música quase psicodélica, ao estilo dos primeiros trabalhos do Pink Floyd.(Kerrang!)
ALL THOSE YESTERDAYS: A última faixa começa suave e vai ganhando força. Uma corneta francesa soa distante quando vai se aproximando do final da música. Ela é seguida por uma música instrumental (Hummus), não citada no encarte e que não possui um título. Estranhamente ela soa como uma banda ensaiando para tocar em um casamento russo (tambores de fanfarra, batidas de palma, gritos altos e coisas deste tipo). O resultado final é bem melhor do que possa estar parecendo...(Kerrang!)
- O que disseram sobre o álbum
"...É uma benção descobrir que o Pearl Jam, em 1998, está mais relaxado, confiante, aventureiro e, o melhor de tudo, tocando rock como nunca".
"'Yield' é o som de uma ótima banda refrescando-se e rindo novamente, desenterrando os velhos discos do Zeppelin e dos Stooges que os colocaram em contato com a música pela primeira vez..."
"É o som de uma banda que, pela primeira vez, não tem que provar nada:'I've stopped trying to make a difference', Vedder canta na faixa 'No Way' e, o PJ soa melhor do que nunca fazendo isto." "...É um álbum pra cima, sensual e espiritual; trazendo velhas influências para o novo milênio. Prepare-se para entregar seu coração e alma uma vez mais." Conceito de 1 a 5: 4 Revista Kerrang!, edição nº685/fevereiro 1998.