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ARTIGO: "O Rock não Pára", Entrevista com Mike McCready - 2003



Muitos poucos se mativeram...A revolução do alt-rock no começo dos anos 90, que foi jorrado do underground como um gêiser e salvou o rock das bandas posers, cobrou uma taxa pesada. Bandas se separaram, carreiras afundaram, vendidos e mortes por droga são grande parte do legado daquele meteórico período na música. PJ ainda está em pé - defensavelmente, a única banda da era que ainda tem importância. "Eu estou completamente entusiasmado por ainda estarmos aí" , disse o guitarrista Mike McCready durante uma entrevista por telefone. "É de fato algo grandioso para mim. Nós somos muito gratos que as pessoas ainda continuam vindo até nós."

Enquanto a banda ainda está abençoada com uma legião considerável de grandes fãs, a popularidade geral do PJ declinou ao longo dos anos. O primeiro álbum, "Ten", vendeu perto de 10 milhões de cópias; "Binaural", de 2000, vendeu cerca de 750.000 [nos EUA].

Quando o PJ suspendeu um genuíno embargo à imprensa para promover o lançamento do "Riot Act", críticos não puderam deixar de fazer zombaria da popularidade que declinou. Talvez isso ocorreu por causa de todos esses anos de serem excluídos de entrevistas.

Mas a isca estava muito longe. Exceto no "Ten", o PJ sempre fez a música que eles queriam fazer, sem muita consideração às forças do mercado. Você só tem que ouvir apra fazer essa afirmação. Ao longo dos anos, o som deles foi se tornando cada vez menos comercial, mais introspectivo (às vezes, indulgentes com eles mesmos) e experimental. Fora da banda, cada membro tomou às rédeas ao procurar qualquer projeto com um lado exótico que pudesse interessar a eles.

"Acho que muito disso é por não ficarmos juntos quando não estamos na estrada" , diz McCready da longevidade. "Nós conversamos um pouco, mas não ficamos juntos de fato. Quando voltamos para a estrada, estamos empolgados em nos vermos."

A efevercência da fama precoce de fato ferrou com o PJ, especialmente com o carismático vocalista Eddie Vedder, que foi colocado na capa da Time e foi declarado como a voz de uma geração. Como resultado, Vedder passou a se esconder. Caramba, o PJ parou de fazer clipes, quando os videoclipes ainda eram uma ferramenta essencial no negócio.

Para promover o curto-circuito [da imagem] de celebridades, PJ cortou o comercialismo do som deles. O que começou tão grande e furioso, tornou-se mais leve e excitante, ou reflexivo e acústico, ou apenas francamente esquisito. Enquanto o hip hop e a música eletrônica permutaram com o rock na última década, o PJ tem se mostrado particularmente resistente a modas, preferindo manter o ataque muscular de guitarras-baixo-bateria. O fator X, claro, é o barítono poderoso, apaixonado, de Vedder, a voz mais imitada do rock.

Quase como qualquer banda que está aí há 12 anos, houve vezes em que o PJ quase caiu. "Em 95, nós não sabíamos o que o Ed queria fazer. Havia uma tensão de verdade na banda. Nós viajávamos de avião e ele estava viajando de van, fazendo um programa de rádio na van, depois dos shows. Nós tivemos que sentar e reavaliar. Nós ainda seremos uma banda? Ed quer estar na banda? Felizmente, ele quis."

Outro "quase fim" ocorreu em 2000, quando 9 fãs morreram pressionados no Festival de Roskilde. Após uma considerável tristeza e uma auto-análise, o PJ decidiu continuar.

Hoje em dia, é possível se referir ao PJ como um grupo que alcançou uma confortável meia-idade. Matt Cameron fez 40 anos no final do ano passado, o membro mais jovem é o guitarrista Stone Gossard, que fez 37 em julho. Essas alegações de conforto e maturidade não resultam tanto da idade cronológica, mas mais da áurea de estabilidade da banda. McCready admite ter caído nos excessos da cena de Seattle, acrescentado, sem cerimônias, que agora ele está "limpo e sóbrio" .

Vedder, especialmente, parece ter superado sua fase introvertida, torturada, "No começo, ele definitivamente não estava preparado para a explosão da fama" , diz McCready sobre o vocalista do PJ. "Nem nenhum de nós estávamos, mas ele era o ponto focal. Foi de fato um peso para ele. Eu acho que onde ele se encontra agora, ele está mais alegre."

McCready acrescenta que a reputação de Vedder como um aborrecido, era parte realidade e parte exagero da mídia: "Ele sempre teve um lado humorístico. Ser angustiado e tudo isso, parte disso era verdade, mas ele tinha um lado divertido que nunca foi explorado. Isso apenas aparecia. Ninguém é uma coisa só. Eu acho que agora ele está apenas um pouco mais contente."

Meia-idade ou não, os 5 membros teve que amadurecer para vencer os obstáculos no caminho longo. "O que tivemos que fazer para criar a longevidade foi ter encontros...sobre comunicação" , diz McCready, com um leve riso. "Nós percebemos que tínhamos que nos comunicarmos uns com os outros. 'Eu estou bravo com você por essa razão e eu tenho guardado isso'. Se havia estranheza, nós tínhamos que conversar e ver o que estava acontecendo. Com qualquer banda, comunicação - com os empresários, com o selo, e, mais importante, um com o outro - é tão relevante. De outra maneira, você pode acabar num episódio do Behind The Music [programa do canal VH-1, que retrata a vida de artistas da música]. 'O que será que aconteceu com esses caras?'. Embora eu direi que, às vezes, é duro agir como um adulto.

O PJ atingiu um ponto de genuína colaboração na dinâmica criativa. Isso é uma coisa sensível. A maioria das canções do "Riot Act" é co-escrita pelos membros da banda. Ninguém tem a palavra final. Adam Kasper co-produziu o álbum com o PJ, mas é provável que ele foi mais um facilitador do que um ditador. "No estúdio, há um puxa-empurra. Um monte de compromisso, para conseguir com que aquilo que você espera, seja o melhor para a canção. Eu não diria que fazer um álbum é como tirar um dente, é mais como escovar seus dentes com a escova de todo mundo."

Um consenso é que o PJ não sofre muito por ter um álbum sub-platina (menos de 1 milhão de cópias vendidas). Com 40 milhões de álbuns vendidos e um sólido lugar nas rádios de classic rock, com pouca idade, a segurança financeira dos caras está garantida. E eles têm um trunfo de reserva: o PJ continua a ser uma banda altamente respeitada ao vivo, ainda um forte atrativo às arenas.

Em Tampa Bay, eles construíram a reputação ao vivo no começo. Era o final da primavera de 92. O álbum "Ten" tinha lentamente permeado o topo das paradas por vários meses, agradavelmente coincidindo com a estréia local no Jannus Landing. Eu não era um fã ainda, mas tinha ouvido todo zumzum e me juntei a outras 1500 pessoas para ver o que era todo aquele estradalhaço.

O Pearl Jam tomou o palco, pulando, saltando e combinando pandemônio com um forte entrosamento ao tocar. Vedder começou reservado; seus cabelos encaracolados enfiados dentro de um boné de beisebol. Depois de uma ou duas canções, ele tirou o boné e se transformou... Em um ponto, ele se pendurou na madeira no centro do palco, que segurava o teto de lona; ele fixou suas botas esfarrapadas em um par de parafusos e se jogou de costas pra platéia. Confusão completa. O show, que durou menos de 1 hora, foi pura catarse. O público foi embora alucinado. O show se tornou lenda - considerado como um dos melhores shows que acontecerem em Tampa Bay.

Não levou muito tempo pra desenfreada fisicalidade dos shows do PJ diminuir, o que também contribuiu para a sobrevivência da banda.

Hoje em dia, o PJ geralmente faz um show com mais de 2 horas, que percorre o catálogo diverso, de 7 CD's da banda, junto a raridades e covers surpresa. Enquanto não [mais] tão cataclísmico no palco, o quinteto recusa a fomentar seu mais novo produto ou se tornar previsível. "Eu ainda corro aqui e ali e vou à loucura" , diz Mike. "O Ed não escala [o palco] nunca mais. Há mais canções; nós tocamos shows mais longos. No começo, havia muita empolgação sobre começar a ter uma carreira. A coisa importante hoje em dia, é que o Ed está de fato dominando ao vivo. Ele tem que levar o show inteiro. Ele está cantando melhor do que nunca. Eu disse a ele: 'Isso me maravilha; eu não sei como você faz isso por duas horas'"


     
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