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ARTIGO: Entrevista com Stone, Mike, Eddie e Matt, VH-1 - 2002 |
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Eles são a Greta Garbo do rock: estrelas não íntimas com as câmeras, que amam a habilidade artística, mas não as obrigações do trabalho contínuo com a mídia. A banda nunca mais puxará as vendas como fazem os do estilo Linkin Park. Mas eles nunca pararam de mudar o rumo ou de aproveitar as oportunidades. De experimentos com world music no No Code (96) ao lançamento sem precedentes de 72 álbuns duplos ao vivo da turnê 2000, o PJ tem pulado tendências e tem dado os passos iniciais. Desde o começo, eles têm permanecido como uma das poucas bandas pelas quais você procura por respostas - ou ao menos opiniões. O 7º álbum deles, Riot Act, é um disco sério que contém "flutuando" por ele, muitos dos dramas da vida real. Enquanto ele não se dirige diretamente aos eventos de 11 de setembro, ele certamente tem uma inegável seriedade que é baseada no drama humano. As letras de Vedder fervem com a ansiedade. Em Can't Keep, ele ilustra a ânsia daqueles que querem se liberar, mas permanecem retraídos. Save you é um rock de garagem que explode em ira com a frustração de sentir que um amigo próximo escapuliu. Como Heathen do David Bowie, o álbum investiga a mortalidade e o pesar, e vai ainda mais além, "quebrando a porta" da, há muito tempo existente e bem fechada, privacidade emocional de Vedder. A pesarosa Love Boat Captain vai de um canto triste para uma proclamação alegre de "all you need is love". Pelo caminho, ela condensa a dor, a redenção e a perda que o cantor sentiu depois da morte de 9 fãs durante o show da banda no Festival Roskilde 2000. A balada simples acústica, Thumbing My Way, deve ser a mais crua mostra de desordem que Vedder já gravou. "I let go of the rope/thinking that's what held me back/And in time I've realized/It's now wrapped around my neck". Vedder diz que a canção não é diretamente sobre ele, mas a convicção em sua performance sugere que ele está bem ciente do que seu personagem está passando. Riot Act quebra o barulho das correntes rádios de rock com uma tática que é ilusoriamente simples. Indiferente a quantos overdubs foram usados, a atração dos tons de guitarra alternativamente apaixonantes e envolventes contra a batida firme, jazzy de Cameron, criam a sensação de um álbum ao vivo, intimista, que se equipara à emoção das letras. Fugindo de baterias eletrônicas e de técnologias de estúdio, canções como "Can't Keep" sussurram com o som de 5 músicos conectados em um nível visceral. Enquanto a bateria de Cameron mantém uma batida militar, Gossard e McCready envolvem um com o outro suas guitarras acústicas e elétricas, como se as notas se ligassem uma com as outras como um aparente código morse." VH1: Como compositores, vocês snetiram qualquer necessidade em comentar o 11 de setembro? É sua função como artista fazer isto? Ed: Eu tenho uma resposta definitiva e é "não". Algumas das canções podem ser interpretadas dessa forma, mas só porque eu escrevi de uma perspectiva humana. Eu certamente não senti necessidade de dizer, "Bem, isso é o que eu acho, eu tenho que deixar claro como isso me afetou". Essa foi uma das coisas esquisitas sobre alguns desses tributos que ocorreram dentro do primeiro mês. Um monte deles foi bem feito, tornando heróis aqueles que trabalharam no ponto Zero e aqueles que perderam a vida no Trade Center. Mas eu senti muito disso: "Como isso me afetou como uma celebridade". Eu fui sensitivo a isso e não queria fazer parte disso. Mike: Eu acho que indiretamente afetou as sessões de gravação e todos nós, como músicos e pessoas. Eu acho que todos mudamos naquele dia. Eu fiz uma canção chamada "Last Soldier" [single de Natal do Ten Club 2001] que nós tocamos um pouco naquele período. Nós nunca falamos sobre executá-la. Nós podemos retomá-la novamente. Stone: Como uma banda, nós tentamos ficar distantes de muita autoconsciência ao compor, em termos de "esse é o ponto aonde queremos chegar", como oposto ao "Ei, veja aonde isso chegou!" Eu acho que aquele evento fez todos terem um senso elevado de percepção do quanto as coisas são frágeis... e nós estávamos todos muito presentes um para o outro durante a gravação. A única função que um compositor tem é expressar honestamente o que está acontecendo com ele ou com ela mesma. Há pessoas que conscientemente podem decidir que eles vão compor uma canção sobre algo... VH1: Como "Let's Roll" do Neil Young? [canção sobre o 11 de setembro, cujo título é uma frase dita por um dos passageiros do vôo que caiu sem se chocar em nenhum alvo] Stone: Mas ele estava conscientemente pensando "Eu tenho que compor algo sobre isso"? Ou ele sentou lá tão dominado pela visão do que estava acontecendo naquele avião? Se você escreve uma canção, é uma coisa; mas se você senta e diz "eu vou compor uma canção e isso é assim que será o sentimento", é algo diferente. VH1: Como a canção que você compôs para o Layne Staley [vocalista do Alice In Chains] depois que ele morreu por overdose? Ed: Sim. Isso quase pareceu como algo que você poderia ter colocado no rádio naquela semana. Foi chamada de "4/20/02", que foi o dia em que eu ouvi sobre isso. Nós não a lançamos, porque nós tínhamos muitas canções. Nós separamos 19 ou 20 pra formar uma peça...se é um barco, você quer que ele flutue e não tenha muito peso. VH1: Falando em barcos [boat], eles parecem ser seu tema ultimamente. Há "Love Boat Captain" e há outro barco em "Green Disease"... Ed: De fato? Eu tenho andado pelo litoral ultimamente, tentando descobrir a natureza o quanto mais eu puder. Isso provavelmente tem muito a ver com a forma como vejo o mundo. Surfando em ondas grandes é humilhante, o poder da natureza e essas forças com que você comunga. Você não pode se impor a um hostil wipeout . Uma onda de 20 pés não respeita o estrelato do rock. Se é que isso seria visto com receio. VH1: Vocês têm sido - por falta de um termo melhor - rock stars por um bom tempo. Mas vocês não atuam dessa forma: sem acidentes de carros, sem encontros amorosos com strippers etc. Na verdade, poucas pessoas sabem sobre a vida privada de vocês. Vocês nunca se arrependeram de não terem aproveitado mais? Stone: [Indo] para Hollywood? Eu acho que nós olhamos pra trás agora e pensamos, "Graças a Deus que não!". Ser indulgente certas vezes é divertido, especialmente se, como uma banda, você experencia isso juntos. Como ficar num hotel bem agradável e dizendo, "Nós não vamos ganhar qualquer dinheiro nessa parte da turnê, mas olha a vista e a piscina!" O impulso na direção oposta tende a ser muito egoísta e indulgente de uma maneira que pode magoar pessoas. Mike: Eu tive meus anos de agitação...usando muitas drogas e bebendo. Foi divertido por um tempo, mas daí se transformou num pesadelo. Quanto a sair com pessoas famosas ou estar em festas, nós nunca operamos dessa maneira. Mais do que qualquer um, eu fui o que mais consumi o estilo de vida rock'n'roll. Ed: Nós não somos rock stars. O mais próximo que nós chegamos disso, é tocar em frente a um monte de gente. Mesmo assim, considere que nós somos músicos. Eu acho que é mais saudável dessa forma. Eu acho que até mesmo evitando turnês de 2 anos, nos ajudou. Isso nos manteve em contato com nossa vida. Eu acho que ser um cachorro mensageiro tem mais a ver com minha vida do que ser um rock star....ou qualquer outra coisa, a não ser um humano. É uma boa situação para compor também. Eu não sei sobre o que escrevem os rock stars. VH1: Os riscos de ser um rock star. Ed: Hmmm. Se esse é o tipo de material, então você me perdeu como um ouvinte. Eu lembro do Axl Rose cantando sobre as frustrações dele com seus contadores e advogados, e pensando, "eu não me relaciono com isso". Eu ainda não me relaciono com isso. Stone: Bem, un, eu já me relacionei com strippers [risos]...mas não recentemente. Tem a ver com o nosso compromisso com cada um, mais do que com qualquer coisa, e como nossos ideais tomaram parte disso. Nós viémos de uma era em que isso era o que devia ser adotado no rock - a decadência - seja o estilo de vida do Johnny Thunders/Keith Richards ou o estilo de vida do David Lee Roth. Por mais que gostássemos dessas bandas e dos personagens que eles atuavam na TV, acho que nossos ideais eram os de que iríamos experimentar e agir como uma banda, e tentar fazer tudo que pudéssemos para permanecer como uma banda. Porque com todas as nossas bandas favoritas que acabaram, nós sempre pensávamos, "Fuck, por que eles acabaram? "Por que eles não puderam imaginar isso?". Essa base nos ajudou ao longo de um monte de coisas, isso deu o tom de como nós íamos fazer as coisas. Você mantém sua cabeça baixa e você pode ter aqueles momentos de indulgência e rir deles, sem comprar isso como um estilo de vida. Matt: Eu entrei no Pearl Jam já como uma [banda] adulta. Eu acho muito legal que eles se tornaram responsáveis muito cedo e fizeram suas próprias regras. Eu acho que, se uma banda pode fazer isso e ainda sobreviver no meio musical, mais poder a eles. VH1: Sem as strippers e os ambientes espalhafatosos, no que vocês gastam dinheiro? Mike: Eu gosto de comprar livros e de praticar esportes. Eu faço ginástica com um treinador e jogo tênis. Eu sou muito frugal. VH1: Você possui um bom 401 (k) - [talvez algum tipo de equipamento de ginástica]? Mike: Tudo isso. Eu sou muito conservador. VH1: Você está dando um mau exemplo aos rock stars do futuro. 401 (k) e tênis... Mike: Nós geralmente não vamos aos clubes de campo. Nós jogamos nas quadras de rua. Nós de verdade jogamos esta manhã e Stone me acertou nas bolas(!). VH1: Vocês têm feito outra coisa rara, que é se estabelecerem como artistas de carreira. Você pode se imaginar olhando o Eddie daqui 20 anos e dando a ele um comando pra tocar "Jeremy"? Stone: Eu tento não pensar muito sobre esse tipo de coisa, porque se você estiver pensando tão pra frente, pode ser um tiro no próprio pé. Nós não sabemos quais serão os desafios para essa banda nos anos que virão. Nós simplesmente estamos felizes por fazermos parte disso agora. A idéia de ser uma banda daqui 20 anos, soa empolgante para mim, se for real e baseado em um crescimento contínuo, e não em só deixar rolar. Você ouve sobre os Stones e de como eles de fato fazem misturas no set list agora, e se pergunta, "Por que eles não fizeram isso nos últimos 20 anos?". É empolgante que eles estejam fazendo isso agora, se arriscando e sendo agressivo. Você tem que permanecer agressivo. Que é o que me entusiasma neste álbum. A sensação de que estamos tocando agressivamente. Ed: Todos na banda compõem, então é mais exatamente um espaço para colocarmos as canções. Eu não acho que qualquer um possa ser definido por essa banda, ou se equiparar estando em uma banda. Isso se torna nosso foco para os próximos seis meses, fazendo shows e estando fora [de casa] para isso, mas não define quem nós somos. Nós temos vida em nossas comunidades que tem mais a ver com o que nós somos. VH1: O R.E.M. costumava dizer que eles nunca continuariam se um dos caras centrais saísse. Tirando a coisa meio Spinal Tap que vocês têm tido com os bateristas, vocês possuem um pacto similar? Stone: Nós temos agora o baterista mais duradouro na banda! Nós não falamos sobre isso de jeito nenhum. Você nunca sabe o que vai acontecer. Sejam quais forem as circunstâncias em que um de nós saia, cabe aos 4 ou 5 caras que ficarem discutir isso. Mike: O fato do Matt ter 3 canções no álbum e estar empolgado em tocar, faz isso parecer bem permanente e eu espero que se mantenha dessa forma. VH1: Matt, você se surpreendeu por eles estarem abertos a usar suas canções? Matt: Eu fiquei de verdade muito feliz com a forma como alguns dos meus materiais foram elevados, assim que a banda tomou contato com eles. Um monte de vezes há certos elementos em suas canções que você acha que serão mais fortes uma vez que você traga isso para a banda, e, às vezes, não funciona dessa forma. Todos na banda tem a mente aberta. Eu de fato toquei guitarra em uma canção ["You Are"] e eles de verdade queriam essa canção, eles gostaram dela. VH1: Vocês nunca consideraram experimentar e desconstruir o som de vocês na linha do que o Radiohead tem feito? Mike: Isso deveria ser mais natural do que consciente. Se isso fosse uma coisa pensada e nós disséssemos "Nós vamos tentar ser mais experimental", não funcionaria. A canção "You are" do Matt é naquela tendência [natural]. Stone: A idéia é muito entusiasmante. Pegar 5 pessoas, todas se movendo naquela direção é uma coisa diferente. Em algum nível...poderia ser não intuitivo. Poderia ser como um time que costumava jogar na defesa e decide ir ao ataque só para experimentar, quando isso não chega de forma natural. Quando você desconstrói coisas, você gasta muito tempo com uma ou duas pessoas no comando do estúdio tomando um monte de decisões, o oposto de todos em uma sala tocando músicas juntos. VH1: Em "Love Boat Captain" você fala sobre 9 amigos que você nunca conhecerá. Quem são essas pessoas? Ed: Eu não acho que estou "removendo a cortina" muito ao dizer que é em referência ao Roskilde. O fato é, nós conhecemos alguns deles por meio disso. Um cara, Anthony Hurley, da Austrália. Eu sei muito sobre ele, agora que encontrei a irmã dele. Ele era o mais velho de 4 irmãos, com o que eu me relaciono. Nós os convidamos para os shows em Seattle, no final de nossa última turnê, e então eles vieram para a casa [Key Arena, em Seattle]. É de verdade muito bom conhecer quem eles eram. É parte do processo, torna isso mais fácil, mais humano. Foi uma coisa muito difícil de processar e de continuar. Não só tocar, mas em todos os aspectos. Tem sido algo muito saudável manter contato com as famílias. VH1: Você acha que a tragédia mudou você Ed: Absolutamente. Isso mudou tudo: nossa equipe, a maioria das pessoas que estava lá. Mudou a forma como os festivais vêm sendo feitos...eu espero. O que vem disso, é que deve ser criado um lugar seguro para as pessoas serem capazes de se soltarem e se liberarem, se elas querem beber muito ou qualquer coisa. Não deveria ser responsabilidade do público se manter seguro. Se há aquela quantia de pessoas, você tem que prover segurança para elas e nada deve ser poupado a fim de se fazer isso. VH1: Aquela canção parece dizer que quando você é jovem, às vezes, você não vive o suficiente para se arrepender do que você poderia ter feito de forma diferente. Você realmente acredita, quando canta que, "love is all we need"? Isso é o suficiente? Ed: Eu acho que é uma posição apropriada para começar. O primeiro passo é o amor; compreensão e comunicação vêm depois disso. Algo como, nós quase temos que compreender os mulçulmanos para entender o porquê do ódio que nos afetou em nossa terra. Depois de Columbine [escola americana onde dois estudantes atiraram em colegas e funcionários, antes de se suicidarem, em 1999], eu fui a um simpósio sobre o tiroteio, tanto professores como estudantes estavam lá. A melhor idéia que ouvi sobre como prevenir esse tipo de coisa veio de uma forma que ía além das revistas e detectores de metal na porta de entrada. Uma moça levantou e disse: "Eu acredito que se nós simplesmente estendessemos as mãos e disséssemos 'oi' uns aos outros nos corredores, ajudaria". Foi de fato profundo. Depois do 11 de setembro, todos se sentiram desse jeito e nós estávamos conversando com os outros na rua e olhando para o outro como americanos. Nós todos nos juntamos e a próxima coisa que você constata, [somos] nós em desfile por aí em nossos carros e SUVs com bandeiras de 89 centavos feitas na China. Eu senti que tudo se perdeu rapidamente. Tudo se tornou vingança. É compreensível, mas não nos fará nos sentirmos melhor. Fizemos sanções que não funcionaram, e, ao mesmo tempo, o [Vice-Presidente dos EUA Dick] Cheney fazendo negócios com petróleo com o Saddam Hussein até meses antes dele ter aceito a nomeação. Eles obviamente não estão contando para nós a história inteira. Bush fez um discurso na ONU há alguns dias - não acho que ele mencionou petróleo uma única vez. Você vai me dizer que nós vamos entrar no Iraque e que não tem nada a ver com petróleo? VH1: "Save You" soa como uma canção que poderia ter estado no 1º álbum, é tão crua e áspera. Mas o que ocorre para todo aquele xingamento? Por que chamar alguém que é tão importante pra você de fucker (imbecil)? Ed: É um termo de estima. É, na verdade, especialmente quando você está um pouco frustrado. VH1: Veio de alguma situação real? Ed: É só algo que experimentei um número de vezes e se foi rápido. Não pude imaginar nenhuma outra palavra que tivesse o impacto de fucker. Outro hit em potencial nas rádios [risos]. Eu disse isso bem alto no tráfego e me senti um pouco acanhado. E eu tive um maldito moicano [fucking mohawk]. VH1: Foi uma ecsolha da moda ou uma insanidade temporária? Ed: Era pra ser uma declaração contra a vaidade, mas daí, percebi que para mantê-lo e deixá-lo com um bom visual, levava 15 minutos a mais que o usual [por dia]. Agora eu pareço um conservador. Neste momento, sou um lobo em pele de cordeiro. VH1: Agora parece que vocês compartilharam as composições menos que o usual. Stone: Matt escreveu duas letras ("Get Right" e "You Are"); Jeff e eu, uma ("Help Help" e "All or None", respectivamente). Ed é um letrista fantástico e os materiais mais fortes possuem neles a característica de letras dele. A respeito de parceria, o desejo dele em incorporar a idéia de todos nesta banda e acatar as letras e canções de outras pessoas, é de verdade entusiasmante. E não é necessariamente a norma para alguém com aquele tipo de respeito e força artística. Ele tem mantido a noção de que ele é um jogador de equipe, e acho que nós ficamos melhores por causa dessa abertura dele. Mas, ao mesmo tempo, ele deve escrever a maioria das letras nos discos. Mike: Da última vez, mais pessoas experimentaram escrevendo letras, mas, de verdade, funciona quando o Ed está de fato empolgado sobre isso. Eu o via correndo, subindo e descendo as escadas dos estúdio, e batia à máquina as letras. Daí, 20 minutos mais tarde, ele subia correndo e batia mais letras. Eu de verdade nunca o vi deste modo antes. Ele tem uma dessas máquinas de escrever velhas, que ele usa há anos. Você o escutava no andar de cima e ele tinha todos os papéis jogados no chão em volta dele. VH1: Matt, você chegou na banda depois do pico. É bom estar em uma banda em que você não está vivendo num tumulto e se desgastando, embora vocês sejam bem grandes que podem tocar em qualquer lugar e um monte de gente aparecer pra assistir? Matt: Isso é o que se procura atingir. Se você pode ter sucesso ao seu modo nesse negócio, o que é raro, então você está fazendo a coisa certa. Foi nessa situação que cheguei aqui e é ótimo. Eu estava lidando com meus próprios dramas no Soundgarden, quando estávamos tentando entender toda porcaria [que estava acontecendo], infortunamente, nós não pudémos resolver o problema. VH1: Você pode ver o que saiu errado no Soundgarden e o que saiu certo no Pearl Jam? Matt: Era um caminho diferente na carreira, uma onda diferente de sucesso. A nossa [Soundgarden], chegou muito tempo depois, então nós tivémos que fazer mais das tradicionais promoções que você tem que fazer: vídeos, ser um almofadinha agradecido com todo mundo que você encontra. Não acho que éramos assim como pessoas, mas tentamos fazer aquilo e, casualmente, isso nos devorou. Nós não tivémos tempo de fazer o que fazíamos de melhor. VH1: Vocês, caras, quando escutam uma canção como "Thumbing My Way", que parece realmente ser pessoal, vocês nunca perguntaram ao Ed sobre o que ela fala? Mike: Eu mais ou menos sei. Eu, ocasionalmente, pergunto a ele sobre o que é determinada letra, mas eu geralmente me sinto um tolo fazendo isso. Eu quero pegar o que minha interpretação diz e o que isso significa para mim, que deve ser completamente diferente do que significa para ele. VH1: Você acha que o conhece muito bem? Mike: Sim e não. Eu o conheço bem...o conheço há 12 anos. Eu sinto que o conheço no ambiente da banda, mas, quanto à vida pessoal, nós ficamos separados uns dos outros quando a banda não está em turnê. Eu fui surfar com ele umas duas vezes. Eu o conheço muito bem, mas não o quanto eu gostaria. Se envolver demais na vida de outras pessoas não é saudável, não é condutivo para se fazer boa música. VH1: "Thumbing My Way" é talvez uma das canções mais pessoais e evidentes que você já escreveu. É sobre alguns arrependimentos que você tem sobre erros que você cometeu? Ed: Eu sou muito bom em me remover da maioria das canções. Uma coisa sobre escrever canções é, elas nem sempre têm que ser sobre você. Quando elas são smepre sobre alguém, eu perco o interesse passado um tempo. Eu estava com o [ator/diretor] Tim Robbins uma vez e ouvimos uma vançaõ no rádio e a letra era horrorosa. E eu disse, "É pra isso que servem os diários". E ele falou, "Não, é pra isso que servem os cadeados nos diários".
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