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PEARL JAM
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ARTIGO: Entrevista com Eddie Vedder, Onion - 2002




" O período da criação do Pearl Jam tanto elevou o grupo à fama, como quase os destruiu! Embora desprezado por alguns (como Kurt Cobain), como uma banda "pegando carona" no grunge, PJ logo se tornou a maior banda de Seattle, com seu primeiro álbum, "Ten", superando as vendas do "Nevermind" do Nirvana. Com o enorme sucesso comercial, os membros do Pearl Jam fizeram o impensável. Eles tentaram preservar a sanidade, se tornando menos famosos. Recusaram a fazer mais vídeos e deixaram de dar muitas entrevistas, o que levou a artigos especulativos fofoqueiros, como um da Rolling Stones, que ocasionou cartas de protesto de Michael Stipe e Courtney Love. Então, em 94, o Pearl Jam embarcou numa guerra aparentemente invencível contra a Ticketmaster, o que dificultou as turnês. A reação musical da banda ao sucesso foi memorável: produziram 3 álbuns extremamente fortes: "Vs" (93); "Vitalogy" (94) e "No Code" (96) - que provaram ser mais viscerais e aventureiros do que o "Ten". "Vitalogy" é particularmente impressionante, indo de canções inspiradas no punk a baladas mais acessíveis e experimentações inesperadas. Fora os bons álbuns e os shows incendiários, PJ começou a levar a fama para um nível controlável. Com parte da pressão fora, "Yield" (98) e "Binaural" (2000) eram consideravelmente mais relaxados (e menos interessantes), e esses álbuns encontraram público organicamente, tal qual eles desejaram. O bloqueio a vídeos e imprensa foram deixados, e o Pearl Jam foi capaz de deslocar a energia desperdiçada com a fama, para causas e campanhas para Ralph Nader em 2000. Essas experiências aparecem intensamente no extraordinário novo Rio Act , um grande álbum de rock que adota uma natureza política e menos pessoal. O Onion falou recentemente com o distante da imprensa, mas afável, Eddie Vedder, sobre fama, política e as políticas da fama."

THE ONION: Neste momento, qual é o seu estado de espírito sobre o processo de entrevista? Você fez muitas hoje?

EV: Essa é a terceira hoje e eu tenho feito algumas por duas semanas. Neste momento, está difícil, tentando imaginar como dizer as coisas. Estou um pouco exausto pelo processo. Eu sei como me sinto, mas neste momento...Foi difícil o bastante finalizar o álbum. Eu me sentia como: 'ok, bom, acabou. Eu disse o que precisava ser dito'.

THE ONION: Quando foi a primeira vez em que você percebeu que o Pearl Jam se tornou uma banda imensa? Você tem sido bastante questionado sobre a sua posterior reação à fama, mas houve um período em que as coisas eram mais empolgantes ou puras?

EV: Eu me lembro do entusiasmo de estar no estúdio com bons aparelhos de gravação, e sabendo que estaríamos por lá, talvez por duas ou três semanas. Me pareceu como uma premissa realmente empolgante. Naquele momento, eu achava que o objetivo fosse algum número como 40.000...Por alguma razão, eu me lembro que, se nós tivéssemos 40.000 álbuns vendidos, eles permitiriam fazer um outro. Este era o grande objetivo, 40.000 [risos].

THE ONION: Mas em qual momento você constatou que o Pearl Jam estava se tornando insanamente popular?

EV: Nós fizemos uma turnê pela Europa, no começo da turnê, filmamos "Jeremy" e, antes de estarmos em casa, aquele negócio [o vídeo] já estava rolando. E daí nós tocamos no Lollapalooza com outras bandas com quem tinhamos amizade, como Ministry e Soundgarden. A reação quando nós começamos a tocar aqueles shows parecia um pouco intensa. No começo daquilo, era meio excitante; no final, era apavorante, sabe? Eu me lembro de um show em Chicago, o Chris Cornell do Soundgarden e eu, saímos e tocamos algumas canções num outro palco, mais ou menos atrás de um monte. Quando nós estávamos tocando uma canção, de repente aquelas pessoas começaram a chegar de cima do monte, como se fosse a última parada do Custer ou algo assim. Foi esquisito. Empolgante, mas completamente estressante.

THE ONION: Obviamente, há algum momento lá, em que a proporção que tudo tomou, te deixou enervado. Você pode dizer precisamente as coisas que te aborreceram sobre a situação, que talvez você não estivesse preparado assim tão cedo [na carreira]?

EV: Deus, são todas as coisas que nós temos passado e sobrevivido. Num certo sentido, é quase como um relacionamento ruim. Em algum momento, você resolve que fez de tudo e nem pensa mais muito naquilo. Eu nem mesmo mais sei como eu me sinto sobre aqueles dias. Na época em que tudo aconteceu, era muito difícil levantar a cabeça, porque a luz era tão clara e você está próximo de ficar claustrofóbico com tudo a sua volta. É difícil ter uma boa perspectiva de onde você está ou o que fazer. Obviamente, é a primeira vez que aquilo está acontecendo com você, a sensação de não ter controle. Quando as coisas ficam grandes e cooptadas, as pessoas começam a fazer gozação. Liz Smith vestindo uma roupa grunge na Vanity Fair - aquilo não foi divertido. [risos] Ou os suplementos do KMART nos jornais de domingo com vestimentas grunge para crianças. Na verdade, era meio engraçado. Nós abaixamos a cabeça e passamos aquele período simplesmente por sermos devotos com aquilo que sentíamos confortáveis em fazer, que é gravar discos e tocar ao vivo, e não as coisas periféricas, como estar na TV das pessoas. Olhando pra trás, parece que não deveria ter sido tão duro quanto foi. Se isso fosse o Behind the Music [programa que retrata a vida de personalidades da música], eles tentariam glorificar aquele período e fazê-lo parecer pior do que foi, ou fazê-lo parecer como se nós todos fossemos bombas-relógio. Para ser honesto, foi um período difícil, e nós éramos jovens que queriam fazer as coisas direito e preservar nosso sonho, que era estar em uma banda e fazer música.

THE ONION: Parece que a maioria das pessoas que prova do gosto de ser uma celebridade, abraça isso e distorce um pouco da ética.

EV: Eu pensei que tentaria abordar isso, e, se perguntado a respeito, eu diria, como um ser-humano, 'isso não é fácil'. É difícil falar sobre isso, e claro, seria suspeito, como 'do que ele está reclamando?' De verdade, é um dos melhores empregos. Naquele momento, era sem triunfo. Agora, ainda falando sobre isso, é sem triunfo. Eu suponho que se eu tivesse que aconselhar agora, eu falaria para alguém a respeito da situação, mas eu quase que tranquei algumas dessas memórias. Mesmo que você sinta que não está mudando, as outras pessoas parecem mudar como elas te olham. Eu penso que por ser de Seattle e não estar numa cidade maior, onde você está exposto a qualquer coisa, glamour e cocaína...[risos] Eu acho que isso provavelmente nos ajudou muito. Não há muito tempo, eu estava jantando com uns surfistas e pescadores que eu conheço, e eles me perguntaram sobre o grupo - as mesmas questões de você agora. Eles não sabiam muito sobre isso, e, olhando, depois de uns copos de vinho, eu dei um suspiro de alívio por nós termos passado por isso. Eu sinto que nós sobrevivemos e eu me encorajei um pouco.

THE ONION: Em que grau você acha que a tensão daquele período instigou a música que vocês estavam compondo? "Vitalogy" é frequentemente citado como o ápice do poder do Pearl Jam, e está repleto de canções sobre esta tensão.

EV: Eu acredito que era parte do que estava em nosso material para compor sobre aquele período. Você está falando sobre uma canção como "Not For you"?

THE ONION: "Corduroy" sempre me pareceu a mais direta.

EV: Sim, aquela canção foi baseada na cópia da jaqueta de veludo marrom que eu usava. Eu acho que eu tive a minha por uns 12 dólares, e estava sendo vendida por US$ 650. [risos] O ponto final de ser cooptado, foi que havia um cara na TV, previsivelmente padronizado, eu suponho, da forma com que eu parecia naquele tempo, cabelo longo e uma camiseta do exército [verde]. Eles colocaram esse novo personagem em um seriado, então, tinha um cara mais bonito do que eu, desfilando no General Hospital [nome do seriado]. E a coisa divertida é que o cara era o Ricky Martin. [risos]

THE ONION: Você tem sido retratado como um anti-rock star, mas isso realmente não faz jus ao que você faz no palco.

EV: Eu suponho por todos nós, seja qual for nossa parte na banda, nós estamos satisfeitos quaisquer que sejam nossos parâmetros nesses dias, que são provavelmente mais altos e mais abrangentes do que há 10 anos. Eu acredito que vez ou outra nós ficamos impressionados com nós mesmos. [Risos] Há uma reação de um amplo grupo de pessoas e eu acho que nós somos capazes de apreciar isso, e que sabemos que há um bocado de força lá que pode acontecer às vezes. Eu não acho que nós estamos satisfeitos com nós mesmos - uma das razões que nós continuamos fazendo discos, é que nós achamos que eles podem ficar melhores - assim, eu acho que é muito fácil ser humilde. Eu provavelmente tenho desconhecidos, chegando pra mim, duas ou três vezes numa semana pra me dizer algo legal. Eu tenho mais do que a minha porção de elogios no meu dia-a-dia. Eu não tenho que me exibir ou mostrar o quanto eu sou bom ao fazer algo. Eu acho que sempre fui desse jeito. Mesmo quando você lida com problemas, quando você trabalha na campanha do Nader [Ralph Nader, candidato independente à eleição dos EUA de 2000] ou nas questões do pro-choice [luta pelo direito da mulher decidir pelo aborto] ou trabalha em coisas como abrir um registro de nascimento para adoções...você deve ceder algum dinheiro e ceder algum tempo, ou usar a sua voz para levantar algumas questões, mas há humildade na compreensão de que outras pessoas estão executando o verdadeiro trabalho diariamente. Esse é o trabalho integral deles, para pagarem as contas ou para obterem progressos com problemas intensos que, às vezes, parecem serem perpétuos.

THE ONION: Desde o começo da banda, mais, particularmente, recentemente, vocês têm sido ativos politicamente, fazendo coisas como publicar o Manual for Free Living [uma edição da newsletter - espécie de informativo - do fã-clube oficial Ten Club, com a contribuição de Michael Moore, Howard Zinn, Ralph Nader etc.]. Você nunca se preocupou em alienar seus fãs?

EV: Eu acho que, se sua abordagem é uma em que você não quer alienar ninguém, você tem que abrandar o ponto-de-vista ou a informação que você está oferecendo, para uma dimensão que isto não tenha o poder de fazer qualquer diferença. Você tem que arriscar. Isso faz parte de criar e participar de um debate aberto e honesto. Eu vi poucas respostas a newsletter, que foram muito intensas, e eu acho que eles questionaram como nós podíamos nos alinharmos com alguém como Noam Chomsky. Eu, pessoalmente, não persisti com isso, mas eu senti que isto foi mal orientado. Eu não sei se em algum dia, isso virá a ser apagado. Eu escrevi a carta no começo, sugerindo que era algo que parecia útil para formar uma opinião e você pode ficar sabendo disto e ver o que fará com você. Mesmo quando estávamos na última turnê - nosso último show foi um dia antes da eleição presidencial de 2000 - no começo da turnê, eu só sugeri para as pessoas irem votar. Nós tínhamos mesas para registrar eleitores, pensando: "Nós não vamos dizer a você como votar, apenas criar uma voz em você mesmo e ver se você pode fazer os políticos respeitarem sua voz". Nós só queríamos encorajar o público mais jovem a se tornar ativo. Na Costa Oeste, em novembro, eu só disse: "Vamos, vote no Ralph Nader". [risos]

THE ONION: Você mudou muito politicamente, desde que a banda começou?

EV: Eu tive mais experiências diretas, por participar em comícios do Nader, testemunhando o que seria alcançado com aqueles comícios - quantas pessoas apareceriam, como seria a energia e, daí, como seria representado na mídia. Ter uma amizade com [professor e historiador] Howard Zinn, compartilhando coisas sobre a vida, não apenas história ou política...Tem sido um tremendo adicional. Quanto aos pontos-de-vista, eu acho que estou mais completo e, definitivamente, mais educado e, provavelmente, mais esperançoso do que costumava ser. Eu acho que, quando você é jovem e você luta por uma causa, você sai frustrado em poucos anos, ou em 6 meses [risos]. Agora, eu pareço nutrir um pouco mais de esperança e compreendo que as coisas não mudam da noite para o dia. Há um caso de pena de morte, que nós temos acompanhado muito de perto há vários anos, está indo para 7 anos agora. Nós pensávamos que, uma vez que nos envolvêssemos com isso, poderíamos corrigir o erro em um ou dois anos, e se passaram sete anos. Você amadurece a sua compreensão do tempo que levará e você aumenta sua perseverança. Você não deixa a frustração tomar conta de você, quando se procura por mudança.

THE ONION: Quanto tempo você gasta com essas coisas?

EV: Normalmente, ás segundas, quartas e quintas, das 10 às 6, eu interfiro...Nos feriados, eu tiro folga [risos]. Não, é tudo combinado dentro do que fazemos. Antes de tudo, estou em um grupo e, como um subproduto disso, você acaba tendo um pouco de "voz", e usa isso, aonde possa ser melhor aplicado. Isso ocorre muito, especialmente, porque muito do que fazemos está fora do radar. É importante, também, ter uma vida e passar o tempo fora de ambas as coisas, de forma a apreciar o que você alcançou, bem como passar o tempo com as pessoas que você ama, e fazer coisas como pintar. Eu acho que é apenas uma forma saudável de ser, que você não é o responsável obrigatório pelo planeta, mas está fazendo algo positivo. Parece como um equilíbrio necessário para a vida, fazer parte da comunidade. Em algum momento, você percebe que não importa o que é dito na música, ou como você pode ficar aguçado, o que você mais pode desejar é que isso plante algumas sementes. Nenhuma música irá parar uma guerra. O que vai parar a guerra, será a enorme quantia de sacos com corpos, ou o poder das pessoas nas ruas, protestando antes que ela comece.

THE ONION: Riot Act me parece muito mais revigorado que os dois últimos álbuns - algum lugar entre otimismo e desilusão.

EV: Eu acho que representa perfeitamente meu estado de espírito nesses dias [risos]. Eu sou otimista, ainda que desiludido; esperançoso, ainda que frustrado. Há uma canção chamada "Green Disease". Às vezes, eu escuto notícias sobre a imensa quantia de dólares envolvida no pagamento dos salários dos chefes-executivos e diretores das corporações, e estou mistificado de, como alguém pode justificar levar esse monte de dinheiro da subsistência de outras pessoas. De uma forma bizarra, eu estou um pouco curioso: "como eles podem se absolver e aproveitar sua fortuna?". Eu não entendo isso. No final da canção, diz: "Can you see this world with your heart and not your brain?" [Você pode ver o mundo com seu coração e não com seu cérebro?] ou algo assim. Parte disso, vem do fato de estar numa banda em turnê que realmente fica em alguns dos mais agradáveis hotéis. Você vê parte da fortuna sendo jogada ao redor, direto. E você pensa: "Meu Deus!". Eu acredito que isto vem da arte da negociação. Nós aplicamos nossa criatividade na arte e na música e em outras coisas; para eles, o excitamento está na arte de negociar. Eu simplesmente não entendo, se eles vêem que números representam pessoas, como eles podem deixar de lado isso e justificar moralmente levar ou arruinar aquelas vidas e deixá-las com nada. Que, para mim, é um crime violento. Pior do que vender algumas gramas de ervas para outro adulto.

THE ONION: Parece ter mais canções pessoais neste álbum, do que nos dois últimos - particularmente "Cropduster" e "Ghost".

EV: Eu acho que "Cropduster" em algum ponto tem alguma coisa sobre o ciclo da vida, que, querendo ou não, todos estão participando. Para onde vamos a partir daí? [Risos]. Na verdade tem algumas semanas que eu a ouvi: "Seed to seedling, root to stem...the world thought to me". Eu acho que é tudo sobre o imenso ego do homem, que ele é a coisa mais importante do planeta. Eu não sei como isso se tornou tão desequilibrado. Neste momento, nós temos o poder de destruir a vida humana, e nós somos meio cavalheiros sobre isso, e está chegando ao ponto em que nós temos trivializado o "Combate final contra Iraque", ou "O combate final dentro do Iraque" e, se isto está certo, Corral & George W. têm o "cinturão" pronto e vão rapidamente "abater" alguém [no sentido de atacar alguém]. Eu estou furioso por George Bush estar na Casa Branca, e estou furioso que o Gore [vice-presidente dos EUA no governo Clinton e adversário de Bush na eleição de 2000] não foi capaz de ser um candidato melhor depois de 8 anos de uma ótima economia, e de ser um encarregado. E estou furioso que antes, toda a conversa era em torno de um vestido azul [caso do vestido da amante de Bill Clinton] e nós não podíamos esclarecer as informações e deixar as pessoas compreenderem o envolvimento do [vice-presidente atual] Dick Cheney com a [empresa] Haliburton e o envolvimento dele com o petróleo no Iraque, que negocia petróleo diretamente com o Saddam Hussein, por meio de companhias de fachada que possuem relação com a Haliburton. Eu estou frustrado com a quantidade de informação que não parece poder vir à tona.

THE ONION: Você acha que a mídia é culpada ou o público é apático?

EV: Em algum ponto, quando você lê a notícia real que chega do The New Zeland Herald e é escassamente mencionada no The New York Times , então eu acho que nós devemos questionar onde isto está sendo manipulado, e onde estão os filtros. Eu acho que é útil procurar aonde é que está o dinheiro, e aí começa a se tornar mais claro...como a General Eletric, que possui essa companhia, e eles fazem bombas, são a favor da guerra. Ok, isso parece fazer sentido.

THE ONION: Vocês gravam em um grande selo, essencialmente trabalhando para uma grande companhia. Isso te aborrece, no contexto de suas outras crenças políticas?

EV: Nós tentamos manter uma boa relação, mas nós, provavelmente, somos uma banda difícil pra se trabalhar, simplesmente porque nós não procedemos com as coisas do mesmo jeito [da gravadora]. Eu acho que, em geral, eles pensam que nós tentamos sabotar a nossa carreira. [risos]

THE ONION: Você tem sido um paladino do interesse musical, levando bandas como The Frogs e Mudhoney para as turnês do Pearl Jam. O que te empolga agora?

EV: Sleater-Kinney fez um ótimo disco. Eu ainda estou ouvindo o disco que o Fugazi lançou há um ano. O novo disco do Sonic Youth. Um cara que trabalha com o Sonic Youth chamado Jim O'Rourke - ele tem um catálogo inteiro que eu estou pesquisando profundamente. Ele é realmente alguém de valor, maravilhoso. Wilco, com quem o Jim tem algum envolvimento. Estou ouvindo há alguns anos Cat Power e acho que ela vai lançar um álbum novo no próximo ano...Eu estou com o novo do [Chris] Cornell, Audioslave, que será muito poderoso.

THE ONION: Não há alguém com quem você esteja interessado em colaborar, fora do Pearl Jam?

EV: Na verdade, Cat Power, eu acrescentei algumas coisas no disco dela. Nós de fato entramos numa sala e cantamos juntos, foi um dos pontos altos do último ano - ou foi neste ano? Este ano, eu acho. Entretanto, será usado um pseudônimo. Deve ser um segredo [risos]. Eu e o Beck cantamos juntos uma canção do Everly Brothers, numa união de artistas com contratos [Concert for Artists' Rights], em Los Angeles. É divertido cantar com outras pessoas que são realmente bons cantores. Há algo pungente em "enfeitar" alguns vocais.

THE ONION: Não querendo abrir velhas feridas, mas os diários do Kurt Cobain estão para serem publicados. O que você pensa da idéia geral da publicação e, especificamente, os trechos que criticam o Pearl Jam? [Bem no começo dos anos 90, não havia uma boa relação entre as bandas; com o tempo, Vedder e Cobain se entrosaram e tudo se tornou águas passadas. Krist Novoselic e Dave Grohl têm relações próximas com os membros do PJ]

EV: Que nós éramos os representantes corporativos de Seattle, ou algo assim? Eu acho que, seja qual for a informação que ele tinha na época, por que meio ele e os companheiros dele nos viam na época, eu acho que, provavelmente, nesse estágio do jogo [passados 11 anos], nós fazemos de qualquer argumento ou crítica, algo discutível. Eu provavelmente podia compreender a suspeita que vinha da cabeça dele naquele período. Era uma época esquisita, havia muito oportunismo vindo da indústria musical e o que eles podiam sugar de Seattle. Nós fomos muito sensitivos com aquela questão na época e, se foi manifestado por ele, se dirigindo a nós, eu posso compreender um tanto.

THE ONION: O que você acha da publicação de algo como isso, em geral? Por um lado, você poderia ler algo do Bob Dylan ou o diário do Jim Morrison, mas Kurt Cobain parece muito próximo?

EV: Eu tenho passado o tempo com Krist Novoselic e com o Dave Ghrol, eu tenho escutado as bandas deles, mas, quanto aos álbuns do Nirvana, eu tenho dificuldade em ouvi-los, porque isso ainda me lembra um episódio muito traumático. Eu ainda não me sinto confortável com a forma como as coisas acabaram. Eu detesto até comentar isso, porque Krist, Dave e os outros amigos próximos dele provavelmente têm mais a dizer sobre isso. Mas, eu, pessoalmente, tive um período difícil com isso. Isso sempre retorna [á mente] como "Que pena". Ao mesmo tempo, eu tenho sentido, somente há poucos anos, que não há pena para este tipo de situação. Eu costumava culpar alguém por não conseguir sair daquilo - estou falando da parte do vício - mas eu tenho tido umas poucas experiências recentemente, em que você não culpa a pessoa nunca mais. Poderia acontecer a qualquer um.


     
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