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ARTIGO: Entrevista com o Pearl Jam por Cameron Adams - 2002 |
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Eddie Vedder está acomodado atrás de sua máquina de escrever, a qual você veria acumulando poeira no porão dos teus avós. Esta particular peça de antigüidade é responsável por todas as folhas com letras e correspondências que têm enfeitado os álbuns do Pearl Jam. E agora está o acompanhando no escritório para ensaios do Pearl Jam, em Seattle, enquanto a banda dá boas-vindas ao mundo em seu pequeno mundo particular. Para uma banda que fez do não-jogar o jogo da mídia (raras entrevistas, nenhum vídeo) como uma forma de arte, por comparação, o Pearl Jam parece agora idolatradores da mídia. Para o lançamento do sétimo álbum, "Riot Act", eles têm feito uma semana com a mídia internacional em Seattle e outra com entrevistas americanas. Há até mesmo um vídeo (um simples ao vivo) para o primeiro single, "I Am Mine", somente o segundo lançado desde "Jeremy", de 92 ("Do The Evolution" foi feito com animação). E Eddie Vedder parece ter feito mais entrevistas para o "Riot Act" do que ele fez em toda sua carreira. Oh, sim, eu sou um verdadeiro amigo da mídia agora , ele diz com sarcasmo. Eu tenho aparecido em todas festas de premiação, acabei de participar de um episódio do [seriado] "Friends"... Sim, esqueça o estereótipo de mal-humorado, Vedder é divertido. Mas por que ele está compartilhando isso com o mundo agora? Bem, para os três últimos discos, nós tivemos vontade de acenar e deixar todos saberem que fizemos outro álbum , diz Vedder. Houve vezes, o "No Code" (96), por exemplo, em que eu até mesmo acho que as pessoas não sabiam que ele foi lançado. Nós percebemos que fomos totalmente bem-sucedidos na tarefa de sabotar a banda [risos]. Talvez um pouquinho demais. [risos] Mas quando Vedder fala sobre sabotar o Pearl Jam, ele não está zoando. É algo que gostamos de fazer , ele diz, citando um ídolo da música que uma vez lhe disse para objetivar "um nível de notoriedade controlável". E eu acho que temos feito isso , diz Vedder, orgulhosamente. O amigo dele, Michael Stipe do R.E.M. fala sobre como a banda poderia ter mandado umas "10 The One I Loves" [famosa canção do REM] se quisessem ter um álbum com milhões de cópias garantidas, mas Vedder não tem planos de "Alive" parte 2 à 10. Veja, eu achei que nos últimos dois álbuns ["Yield" e "Binaural"] havia canções que seriam hits nas rádios. Nós com certeza não as promovemos. Não fizemos vídeos, que é onde um monte de gente provavelmente ouve repetidamente, centenas de vezes, até que se insira na cabeça e acabam gostando disso, seja bom ou não. Vedder diz que possui um censor [anti] comercial automático em sua cabeça. Lembro-me de uma música que escrevemos para o "Binaural" (2000). Se transformou numa canção chamada "Light Years", mas no princípio ela soava absolutamente como um hit. Então nós tivemos que revirá-la. Tinha que ser um desafio a nós mesmos. Mais tarde, o baixista Jeff Ament confirma que Vedder não está brincando. Oh, o Ed sabotou um monte de coisas no começo. Ele começava a cantar uma canção e você falava: "Uau", ele te via fazendo isso, parava tudo e ia: "Ok, vamos fazer uma outra coisa diferente". Como músico, você diria: "Oh, meu Deus, era uma ótima canção". Isso aconteceu muito. Não que fosse uma porcaria de uma canção pop fabricada. Era só [uma canção com] uma boa levada. Voltando 10 anos e para a fase da abundante "Pearl Jam mania", "Ten", o álbum de estréia, junto ao "Nevermind" do Nirvana, foram as bíblias do grunge. Esse e o o sucessor, "Vs", de 93, venderam mais que 10 milhões de cópias cada somente nos EUA. E quando a banda fez as coisas do jeito deles (sem vídeos, lançando álbuns em vinil antes do CD, lançando dezenas de bootlegs oficiais) a força irresistível continuou rolando. Mas nos últimos 5 anos, as vendas caíram dos 11 milhões de "Ten" na América, desde seu lançamento em 91, para cerca de 1 milhão cada para os álbuns mais recentes. Vedder insiste em dizer que ele não se importa com as vendas, altas ou baixas. Números... Vedder "mastiga" a palavra como um pedaço de borracha. Se você vai de outro jeito e luta por essa popularidade gigantesca, é muito trabalhoso manter isso em pé e não saber como sua vida está se transformando quando você está se empenhando nisso. No fim, de qualquer jeito, você acaba tendo que se afastar, então foi saudável que nos distanciamos disso cedo. Nós fizemos um novo álbum, tocaremos em alguns shows e será o foco principal em nossa vida nos próximos cinco ou seis meses, mas não acho que algum de nós seja definido por estar no Pearl Jam. Ao contrário da maioria das bandas que surgiu com eles no começo dos anos 90, o Pearl Jam tem sobrevivido. Sem experiências de proximidade com a morte, nenhum lapso no controle de qualidade, nenhum escândalo com drogas. Foi a morte de fãs num festival de rock que quase acabou com eles. Eles nunca mais tocarão em outro festival. É difícil de explicar , diz Vedder sobre o segredo da longevidade. Nós apenas mantivemos nossa cabeça baixa e permanecemos focados em fazer discos e tentamos manter isso o mais simples possível. Nós vimos muito rápido o quanto isso poderia se tornar complexo e percebemos que poderíamos ser devorados, provavelmente. É como cada um daqueles malditos episódios do Behind The Music [programa do canal de música VH-1, que narra a carreira de artistas], então não é muito empolgante falar a respeito. Nós passamos por isso e fizemos algumas decisões muito inteligentes. Mas nem todos as compreenderam na época. Obviamente que a variedade de entrevistas para o "Riot Act", significa que o Pearl Jam está pronto para entrar no jogo novamente, mas Vedder insiste que tem mais a ver com ter a certeza de que o álbum será escutado e não passará despercebido, do que com elevar o nível de vendas à altura dos [álbuns] anteriores. Acredite em mim, é um verdadeiro privilégio se sentir desse jeito, não se importar, eu compreendo. Mas eu pensei recentemente sobre o nosso último álbum ("Binaural") e não acho que alguém nos perguntou por uns seis meses, 'Quanto vendeu esse álbum?' Vendeu próximo a 1 milhão, o que está ótimo, parece bom. Nós somos muito afortunados. Eu ficaria feliz com 100.000 cópias. Com o primeiro álbum me lembro de querer vender 40.000 cópias, eu achava que era o número que se precisa atingir de forma a poder gravar outro disco. Obviamente que seria uma grande descida hoje em dia, e vejo como criaria tensão se você pensasse a respeito disso. Vedder faz uma pausa, e daí muda de rumo. Estou escutando algumas porcarias no rádio agora. Eu sei que há 100 bandas que são melhores que a nossa, ao menos 50, bandas independentes: comece com Fugazi no topo. Mas eu sei que não há 50 bandas na rádio que são melhores que nós. Então, se eles estão vendendo depósitos cheios de álbuns e você percebe que está fazendo algo bom, você ao menos quer estar em evidência em algum lugar. É bom comentar sobre os copiadores do Pearl Jam que têm aparentemente vindo e feito com que seus álbuns fracos de rock vendam todos os milhões que o Pearl Jam não vende. Em particular Creed e Staind desagradam Vedder. O último até mesmo fez uma cover da "sagrada" "Black". Enquanto seus parceiros de banda se sentem "lisonjeados" pela cover "legal", Vedder não é tão generoso. Quem fez esta cover? Staind? Você pode comprar isso? Não que eu esteja curioso sobre o dinheiro, mas antes de tudo, ninguém nos perguntou; segundo, deram um cheque pra nós? Porque eu tenho um monte de caridades para as quais eu poderia dá-lo. Mas mesmo Vedder não pode negar que o Creed cruzou o seu radar. O vocalista Scott Stapp tem sido taxado como um Eddie Vedder fraco. O que o verdadeiro pensa? Se eu pudesse oferecer alguma crítica construtiva, eu ouvi poucas canções [do Creed] e eu achei que elas eram a mesma coisa, mas eram canções diferentes. Ele deveria, provavelmente, abaixar os braços dele, para uma. Talvez relaxar um pouco. Ele encontrará sua própria voz. Para mim, soa como se ele estivesse forçando um pouco duro. Eu forçava [a voz] muito duro nos primeiros anos, levou um tempo para eu relaxar. É uma sensação agradável quando você sente que sua voz é absolutamente representativa de você mesmo e não de outro alguém. Todos têm influências... Vedder começa a ficar um pouco irritado. Enquanto ele evita a maioria dos Top 40 de rádios e TV, até mesmo membros de sua família e amigos distantes têm mencionado o quanto eles pensavam que estavam ouvindo ele na rádio, mas estavam enganados. As pessoas diziam "eu acho que ouvi uma canção sua na rádio. Soava como você, mas as letras não pareciam como algo que você estaria cantando". Eu estou tão de saco cheio de ouvir isso. Pela quantia de vezes que tenho ouvido isso, eu parei de me sentir lisonjeado, acabou pra mim. Eu também não quero que as pessoas fiquem cheias de estarem superexpostas a um certo tipo de estilo vocal, porque está sendo tocado em abundância por outras bandas. Eu preferiria ficar de saco cheio de me ouvir do que a uma imitação.
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