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PEARL JAM
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ARTIGO: "Spreading the Jam", entrevista com Jeff Ament, Billboard - 2001


Billboard: 2000 foi um ano e tanto para o PJ, com extremos altos e baixos. O que fez a banda a decidir documentar essa turnê da forma como vocês fizeram?

Jeff: Bem, eu acho que antes de tudo ir pra baixo em Roskilde, nós sentimos que estávamos tocando da melhor [forma] que nós já tocamos [em toda carreira]. Duas ou três semanas dentro da turnê européia, nós estávamos verdadeiramente felizes como banda. Eu acho que, quando nós voltamos para os Estados Unidos, nós continuamos a nos sentir dessa mesma forma. Sabe no que eu acredito? Que tudo o que ocorreu em Roskilde, também nos uniu de uma nova forma. Nós estávamos nos sentindo realmente bem com relação ao que estávamos fazendo e com como nós estávamos tocando. Acho que por isso, nós nos sentimos preparados pra colocar todo esse material [sobre a turnê]. E também, nós tentamos fazer algo assim por seis ou sete anos; lançar os CDs ao vivo e o vídeo ("Touring Band 2000", lançado em maio de 2001). Mas nós nunca tínhamos nos sentido tão satisfeitos com o que nós vimos ou ouvimos.

Billboard: Por que agora o momento está bom para lançar todas essas coisas? Isso tem a ver com os mais baixos custos de produção ou com o crescimento de outros canais de distribuição, como o [fã-clube] Ten Club?

Jeff: Sim, Eu acho que tem muito a ver com isto. Ao longo dos últimos dois anos, o Ten Club se tornou uma organização completamente diferente. É uma forma maravilhosa de distribuir qualquer coisa, seja informação, trabalhos de arte ou música. O que eu quero dizer, é que eu considero o momento como mais adequado, porque nós finalmente nos juntamos para lançar algo que nos deixou satisfeitos. O que é o principal... e também as pessoas que trabalharam nisso tudo. Até esse ponto, em termos de gravações em vídeo, Kevin Shuss era o único cara que filmava. Às vezes, ele pegava alguém pra dar uma ajuda. Mas ao longo do último ano, nós tivemos a Liz [Burns], o Steve [Gordon] e o Kenin fazendo as filmagens. Nós também tivemos alguns convidados fazendo algumas filmagens. O Brett [Eliason, engenheiro de som], juntou o som à gravação, o que foi um grande, um grande componente nisso tudo. No passado nós não nos sentíamos satisfeitos com o som [das gravações]. Porque para nós, isso [qualidade do som] importa mais do que tudo, porque ainda é música [que importa].

Billboard: Você se refere ao "Live on Two Legs" (1998) ou algo assim?

Jeff: Bem, não, mas sobre as tentativas de fazer vídeos no passado. Ou mesmo filmar. Cara, elas simplesmente não tinham um bom som.

Billboard: Como a banda esteve envolvida no processo de montagem do DVD? Vocês filmaram alguma coisa?

Jeff: Um, eu acho que o Ed filmou alguma coisas, mas eu não sei se esse material aparecerá no DVD. Ed e o Stone estiveram particularmente envolvidos com a elaboração do setlist. Eu estou de verdade animado com isso. Há algumas canções nele [DVD] que eu acho que nós não tocamos tanto quanto outras que aparecem nele.

Billboard: Você tem alguns momentos preferidos? Que tal aquele show em Milwaukee [registrado no DVD na canção "Dissident"], em outubro [a temperatura estava em aproximadamente -1ºC ]?

Jeff: Jesus. Eu acho que aquele foi um dos shows mais estranhos que nós já tocamos. Nós tínhamos pequenos aquecedores no palco, para que nós pudéssemos esquentar as mãos entre as canções. Mas, normalmente, transcorrido cerca de 1 minuto e meio da canção, as mãos já estavam completamente adormecidas. Mas o público estava envolvido, e você sabe, eles estavam lá esperando o melhor, então nós tínhamos que fazer o melhor. Pareceu como um jogo do Packers ou algo assim, ou como se imagina que seja um jogo do Packers.

Billboard: Houve outros momentos de destaque para você?

Jeff: Sabe, eu acho que a versão de "Given to Fly", em que há uma mulher usando língua de sinais, foi um momento muito bonito. Também a versão de "Rockin' in the Free World", em Albuquerque, em que um garoto de uns 9 ou 10 anos subiu ao palco. E ele participou completamente.

Billboard: Qual foi a idéia de marcar certos shows com o logotipo do "ape man" ? [dos 72 CDs ao vivo lançados, alguns possuem o logotipo e são considerados como os melhores pela banda]

Jeff: Para cada parte da turnê, nós nos reunimos e escolhemos de memória 6 shows, com os quais ficamos satisfeitos. Alguns nós marcávamos com um pequeno asterisco. Porque nós tivemos um pouco de dúvida; alguém dizia: "Eu acho que Paris foi um show maravilhoso". E um outro dizia: "bom, eu não achei que ele soou muito bom". E nós voltávamos e ouvíamos algumas das gravações.

Billboard: Descreva a segunda noite em Katowice, Polônia [16/06/2000]. É um dos setlists mais incomuns da carreira do Pearl Jam.

Jeff: Nós fizemos um setlist e ele acabou se tornando algo completamente diferente de qualquer coisa que nós fizemos na turnê. No comecinho do show, nós dissémos: "vamos relaxar e fazer o que surgir na cabeça". Para mim, esse foi um dos melhores momentos ao vivo; deixando de lado as pressões de ser um entertainer e indo lá e tocando canções como se estivesse em sua sala de estar. Fazendo isso de uma forma mais relaxada. Nós simplesmente tocamos algumas canções.

Billboard: Bem, ele começou bem melódico com "Release", "Of the Girl", Sleight of Hand" e "Thin Air".

Jeff: Certo. Bem, nós sempre conversamos sobre pegar essas canções e tocar em teatros; fazendo shows muito mais tranqüilos. Até mesmo parcialmente acústicos. Eu acredito que em algum momento, nós faremos algo assim.

Billboard: Você gostaria de ver esse projetos [DVD, CDs ao vivo] se tornarem documentos regulares nas futuras turnês?

Jeff: Sabe, eu acho que nós temos que ver como tudo isso vai caminhar. Eu acredito que daqui a um ano, nós vamos ser capazes de analisar melhor; se na nossa cabeça, isso tudo foi alguma coisa bem sucedida. Nós estamos satisfeitos, mas ainda há gente meio insegura com tudo isso. Eu acho que mais pra frente nós vamos poder tomar uma decisão melhor sobre como nós faremos no futuro. Eu acho legal. Se você pode lançar algo por um preço aceitável, mantendo até o fim os baixos custos de produção e tendo Liz, Steve, Kevin e Brett animados em continuar colaborando, eu acredito que nós podemos continuar a fazer coisas desse tipo. Contanto que nós possamos fazer pequenas alterações, fazendo de forma diferente.

Billboard: E que tal lançar shows mais antigos em CD ou DVD? A banda discutiu isso?

Jeff: Sim, se nós pudermos melhorar a qualidade de som, ou se o Brett puder mixar de forma a tornar [o som] melhor. Eu sei que quando nós fomos para o Sudeste Asiático (1995), nós fizemos algumas filmagens daquela viagem. Boa parte daquele material seria bem legal. Eu acho que se misturar uma parte daquilo com alguma das viagens para a Europa, ou mesmo algumas coisas mais antigas, provavelmente seria muito legal. Eu sei que há velhas filmagens, talvez do segundo ou terceiro show, do Temple of the Dog e coisas desse tipo.

Billboard: Você ficou surpreso com o sucesso dos CDs ao vivo, tendo em vista que eles foram voltados para os fãs mais fervorosos?

Jeff: Sim. Quando eles estavam falando sobre quantos de cada CD deveriam ser fabricados, eu pensei que seria ridículo. Inicialmente, eu achava que seria melhor lançar um pequeno número deles. Nós ficamos chocados que a Sony decidiu levar a idéia pra frente; o que é pra tirar o chapéu por eles quererem fazer isso. No começo eu achava que eles iam abandonar a idéia e que nós iríamos lançar um pequeno número de CDs, só pro fã-clube - só uns mil e tantos ou algo assim. Mas, sim, acho que tudo isso tem sido surpreendente. Foi algo excitante. Houve um lado de querer se arriscar com o rock' n' roll e lançar 70 e tantos discos ao vivo. Eu me lembro que quando nós começamos a falar sobre isso, nós estávamos todos rindo: ‘que isso iria arrasar com tudo'. Logicamente, todo mundo teria algum comentário a fazer a respeito disso. Então, no fim, pareceu bom ferrar um pouco com o sistema; fazer algo um pouco diferente. A coisa principal que nós argumentamos, é que o preço [dos CDs] deveria ser baixo. Manter as coisas simples, apenas sendo o que é: uma gravação ao vivo.

Billboard: O que você pensa da receptividade que os fãs do Pearl Jam tiveram com tudo isso?

Jeff: É insano. Eu acho que, à medida que o tempo passa, eu fico cada vez mais espantado com o número de pessoas que vai aos nossos shows e de quantas vezes você vê os mesmos rostos nos shows. Sabe, eu acredito que nós estamos em uma incrível situação única. Eu tenho sido fã de bandas que, ao encontrá-las ou vê-las por mais de uma ou duas vezes, de alguma forma, fiquei desapontado. Quase parecia que elas não se importavam [com os fãs]. Eu acho que esse tipo de coisa, quando eu era mais jovem, há uns 15 ou 20 anos, foi algo que eu carreguei comigo. Acho que todo mundo já se sentiu assim antes. É uma daquelas situações em que você pensa: ‘cara, se eu estivesse numa banda, eu nunca desistiria de um show ou eu nunca falaria desse jeito com um fã'. Sendo eu, um fã de música, eu sinto que de várias formas posso me identificar com os fãs. Se eu realmente me sinto envolvido por uma banda, eu colecionaria todos os produtos importados e faria a mesma coisa.

Billboard: Você pode falar sobre a evolução do Pearl Jam como uma banda ao vivo? Hoje em dia, os shows são muito mais longos, e há muito mais canções indo e voltando?

Jeff: Sim, há algumas canções que foram deixadas de lado. Ocasionalmente, há “Breath” ou “Garden”... “Garden” foi uma canção em que eu fiquei empolgado [de tocar], porque eu senti que nós podíamos reelaborá-la. Nós a tocamos de duas maneiras: mais calma, um pouco mais ambiente e, algumas vezes, do velho jeito. Algumas dessas canções, nós já tocamos tantas outras vezes que, naturalmente, é difícil ficar tão empolgado em tocá-las quanto as canções novas. Se alguém tem algumas idéias para tornar uma canção um pouco diferente, para tornar a dinâmica diferente, tirando uma parte ou fazendo um novo arranjo, é uma forma de poder ver as velhas canções [incluídas]. Provavelmente, para nós, fazendo as coisas um pouco diferente ou dando um tempo numa canção, não a executando em uma determinada turnê, quando há uma próxima turnê, será empolgante tocá-la novamente.

Billboard: Você encaixaria “In My Tree” nesta categoria?

Jeff: Sim, sim. Nós realmente a tocamos poucas vezes. No [álbum] “No Code” (1996) havia 3 ou 4 canções que eram grooves próprios do Jack [Irons, ex-baterista], sabe? Grooves que ele deu duro para desenvolver e o Matt [Cameron] por muito tempo disse que eram próprios do Jack, que ele não poderia tocá-las da mesma forma que o Jack tocava'. Chegou um momento em que nós dissemos a ele: ‘toca da forma como você tocaria'. Quando saiu o “No Code”, nós tivemos alguns problemas pra tocar aquela canção [“In My Tree”] ao vivo e daí nós percebemos que, se ela fosse tocada um pouco mais rápida, se tornaria mais empolgante para nós.

Billboard: O Ed tocou guitarra nela durante os primeiros shows?

Jeff: Eu acho que inicialmente ele tentou tocar, porque há três ou quatro partes de guitarra diferentes nela. Acredito que deva ter sido difícil tocar guitarra e cantar ao mesmo tempo, muito mais do que é agora.

Billboard: Anos atrás, canções novas, programadas para aparecerem no próximo álbum do Pearl Jam eram tocadas ao vivo em primeira-mão. Mas isso não aconteceu com os dois álbuns de estúdio recentes (Yield e Binaural). Isso tem alguma coisa a ver com o plano da banda de ter dois anos para escrever, gravar e fazer tour?

Jeff: Sim. Isso tem acontecido recentemente. Tem a ver com fazer uma turnê e dar um tempo para cada um, deixar as coisas rolarem e compor canções. Nós falamos sobre isso [tocar novas canções ao vivo] todo o tempo. Nós conversamos sobre juntar 10 canções novas, pegá-las e tocá-las ao vivo; apenas um show de uns 40 minutos ou algo assim. É um pouco estranho o fato de que elas podem aparecer na internet. O que algumas vezes arruina o elemento surpresa de um disco. Mas sabe, eu me lembro de ver o Van Halen, em 1979. Eles fizeram uma turnê de aquecimento, em Montana, antes do lançamento do segundo álbum. Aquilo foi espetacular, então...

Billboard: Algumas das improvisações tocadas em shows da turnê norte-americana são canções novas, na verdade?

Jeff: Bem, o que acabou no DVD [a canção “Untitled”] é algo que foi tocado provavelmente umas 20 vezes ao longo da turnê. É só o Ed tocando um som que se repete e compondo letras ali mesmo. Eu me lembro de ouvir a letra se desenvolvendo enquanto nós continuávamos a fazer aquela pequena jam. Em determinados lugares, cantar aquilo é como um pequeno mantra para ele.

Billboard: Qual é a origem das canções instrumentais nos extras do DVD ["Europe Montage"]?

Jeff: Eu acho que elas são do “Binaural”. Em cada álbum, nós temos canções que acabam não possuindo letras. Eu acho que essas são das últimas sessões de gravação.

Billboard: O Pearl Jam volta para revisitar idéias inacabadas de antigas sessões de gravação?

Jeff: Provavelmente, não o tanto quanto nós deveríamos. Eu tenho ótimas recordações de algumas canções que não entraram no “Vs” (1993). Eu sei que há três canções finalizadas, maravilhosas, que não possuem vocais, nem letras e nem melodias. Há algumas coisas do “No Code” (1996), também.

Billboard: Bem, “Hard to Imagine” deve ser uma?

Jeff: Nós a gravamos, primeiro, durante o “Vs”. E, mais tarde, novamente. Acho que durante o “No Code”. E foi essa versão que entrou na trilha-sonora do filme “Chicago Cab”. Sabe, eu adoraria ir atrás dessas canções e colocá-las em um CD, só para mim [risos]. É difícil acessar todo esse material. Boa parte delas está em um K7, encaixotada, ou algo assim.

Billboard: O que você pode nos contar sobre as canções não usadas no “Binaural”? Não havia uma canção de vocês que foi mencionada no jornal do fã-clube?

Jeff: Sim, “Sweet Lew” [risos]. Aquela era uma canção completa, em que toda a banda trabalhou nela. Eu não sei se isso algum dia será ou não lançado. Ela na verdade não se encaixou no álbum. Eu nunca esperei que ela aparecesse em algum álbum, mas sim, como um lado B.

Billboard: Você poderia descrever essas canções?

Jeff: “Fatal” é, você sabe, um pouco no estilo de “Thin Air”. “Letter to the Dead” é simplesmente uma ótima canção pop. Para quase todos os álbuns, o Ed sempre fará alguma excelente canção pop. Muitas vezes, essas canções acabam não se encaixando nos álbuns, porque nós não fizemos muitos álbuns pop [risos]. Eu imagino que essas coisas em algum momento serão lançadas. E eu acho que há uma série de canções que nós fizemos, deixamos de lado, acabaram como lados B e ficaram esquecidas, seja “Dead Man” ou até mesmo, “Yellow Ledbetter”. Elas eram canções que nós achávamos ótimas. Mesmo o single “Merkinball” (1995). É até mesmo difícil de encontrá-lo atualmente.

Billboard: Eu vi que a banda ressuscitou o [nunca antes tocado] single “U”? Dizem que vocês tiveram que usar o [extinto programa] Napster para encontrá-lo.

Jeff: Sim, nós tivemos. Nós não conseguíamos encontrar nenhuma cópia do single que tinha essa canção!

Billboard: O que você pode nos dizer sobre a compilação de lados B [álbum de raridades] que vocês têm mencionado?

Jeff: Bem, nós definitivamente estamos compilando alguns materiais. Eu acho que, provavelmente, no verão [de 2001] nós podemos nos encontrar, se for o momento certo para todos. No momento, nós estamos envolvidos numa série de coisas, então vamos ver como tudo vai ficar. Se a gravação estiver suficientemente boa, se nós pudermos ficar empolgadas em remixar algumas versões ou até ter uma ou duas canções novas. Se nós pudermos fazer tudo isso, acho que todo mundo vai ficar mais entusiasmado em lançá-la.

Billboard: Você tem alguma aparição favorita do Pearl Jam em compilações?

Jeff: Eu me lembro de ter ficado empolgado com a trilha do filme “Singles”, que tinha duas canções nela [“State of Love and Trust” e “Breath”]. Ambos os discos da Surfrider Foundation [Music for Our Mother Ocean, I e III], como a canção “Gremmie Out of Control”, em que nós nos divertimos muito gravando no estúdio. E também “The Whale Song”, uma canção de Jack Irons, que eu adoro. Acredito que haja mais um monte que eu não me lembro.

Billboard: Você pode falar sobre de que maneira tem aumentado a contribuição dos demais membros do PJ na composição das canções nos dois últimos álbuns [“Yield”, 98 e “Binaural, 2000”]. Você tem três canções suas no “Binaural” [“Nothing as It Seems”, “God's Dice” e “Sleight of Hand”], que proporcionam uma verdadeira variedade de emoções.

Jeff: Bem, acho que o resto de nós somos felizes por ter um vocalista/compositor que está aberto a isso. E isso é uma grande coisa. Facilmente daria pra ter o Ed com material suficiente para fazer um álbum só com canções dele ou dele com o Stone, que é o núcleo do que nós temos feito. Mas, eu me disponho a compor uma canção, cada vez em que eu pegar o baixo pra tocar. Há um período em que você quer fazer algo além do que só tocar música. Ao longo dos últimos cinco ou seis anos, eu tenho feito isso. “Yield” foi a primeira vez em que eu registrei tudo num gravador e tive coragem de mostrar pra todo mundo. Eu acredito que isso funciona assim: se você trabalha duro, como músico e compositor, nessa banda, você é recompensado por isso. Todo mundo ficará empolgado com uma canção e nós trabalharemos juntos para aperfeiçoá-la. E normalmente são as coisas em que você tinha menos expectativa, que se tornam as mais empolgantes. “Nothing as It Seems” era uma canção meio folk. Quando Stone ficou entusiasmado com ela, eu pensei: “uau, se nós colocássemos bateria nela e se o Mike tivesse uma função especial nela”. E, de uma hora pra outra, se transformou numa coisa completamente diferente.

Billboard: É verdade que “Light Years” foi totalmente modificada de sua estrutura original?

Jeff: Ela soava de um jeito muito diferente do que o de agora. Mike tinha alguns riffs e Ed tentou escrever em cima desses riffs. No começo, ele teve alguns problemas, até que um dia ele apareceu com letras que eram realmente sinceras. Ele acabou rearranjando completamente a canção. Ela foi tocada em milhões de ritmos diferentes e, a bateria, em milhões de formas distintas. Foi uma canção difícil, especialmente para o Matt porque levou muito tempo.

Billboard: Como é esse período de descanso para o Pearl Jam, particularmente no processo de compor músicas? Vocês se reúnem em pequenos grupos ou algo assim?

Jeff: Ocasionalmente, eu e o Stone temos conversado sobre nos encontrarmos em algum momento nos próximos meses. Mike também vai aparecer em algum momento e vai tentar fazer alguma coisa junto. Eu adoro colaborar em pequenos grupos. Eu acho que acaba rendendo mais com apenas duas pessoas. Eu pensava em descansar por dois ou três meses [após o término da turnê]. Cerca de duas semanas atrás eu já estava: “preciso voltar ao trabalho”.

Billboard: Deve ser uma ocasião super especial o primeiro dia [de gravação] de um novo álbum; o primeiro dia em que vocês estão em uma sala examinando o material.

Jeff: Sim, sabe, nos últimos discos nós estávamos tão empolgados em nos vermos. Nós levamos um dia vendo se todo mundo ainda estava entusiasmado. Têm algumas vezes em que alguém ainda não está preparado, e nós retomamos tudo um mês depois ou algo assim. Esse é o encanto da posição em nós nos encontramos. Que nos permite sermos flexíveis e trabalharmos quando todo mundo está com a cabeça voltada para isso. Normalmente, depois de uns meses, um chama o outro e diz: “como estão as coisas? Vamos nos juntar?. Alguém vai estabelecer uma data e esse é o ponto inicial. Mas é importante para nós, nos distanciarmos uns dos outros e não sermos uma banda por quatro ou cinco meses, ou seja lá quanto tempo levar. Isso torna as coisas mais fáceis na hora de retomarmos tudo.

Billboard: Você poderia esboçar quais são os planos do PJ para o próximo ano [2001]?

Jeff: Na verdade, não há um [risos]. Absolutamente nenhum plano.

Billboard: Bem, você já tem algumas idéias para canções?

Jeff: Sim. Há 3 ou 4 coisas com as quais eu estou entusiasmado. Eu, pessoalmente, acho que eu gostaria de fazer umas dez coisas antes de nós nos juntarmos novamente. Eu provavelmente vou mexer com algumas coisas. Vou me juntar com o Richard [Stuverud, colaborador de Ament no projeto-paralelo “Three Fish”], pelo menos uma vez por mês nos próximos 3 meses e, assim espero, isso vai me deixar com 10 idéias para o PJ e 20 ou 30 de outras coisas [pra fazer].

Billboard: O próximo álbum do Pearl Jam será o último sob o contrato com a Epic. O que virá depois? A banda já considerou Ter um próprio selo?

Jeff: Oh, com certeza. Acho que nós iremos testar um pouquinho o mercado. Mas eu acho que o que mais nos deixa empolgados, é um dia poder não estar presos à nada. Agora, nós não temos contrato com ninguém, exceto com a gravadora [Sony Music]. Nós não temos contrato com o Kelly [Curtis, empresário], com merchandiser, com agentes de turnê, com ninguém. Para chegarmos a um ponto, respeitando contratos e concordâncias, em que nós seremos independentes. Nós queremos um pouco mais de liberdade para fazermos algumas coisas diferentes. A Sony tem sido ótima conosco, em termos de nos dar controle e de nos deixar fazer algumas coisas malucas. Há uma parte de nós que possui uma certa lealdade a eles. Isso, claro, será tremendamente considerado. Mas é empolgante chegar ao momento de se tornar independente! A música está vindo de várias maneiras atualmente.

Billboard: Você tem algumas bandas novas favoritas?

Jeff: Sabe, eu estive na Europa e eu arranjei um disco de um cara chamado Tom McRae. É maravilhoso! Tom McCrae tem uma voz! É bonita. Algumas vezes é como Simon and Garfunkel. E você já ouviu Sigur Ros?

Billboard: Oh, sim.

Jeff: Eu acho que aquele disco {“Agaetis Byrjun”] é absolutamente maravilhoso.

Billboard: Parece que ele vai assinar um contrato com um grande selo americano.

Jeff: Ele deveria, cara. Aquele disco é um dos discos mais legais do ano passado.

Billboard: O que você pensa do Kid A [do Radiohead, lançado em 2000]?

Jeff: Eu gosto bastante dele. Acho que o clima está certo para eles fazerem algo assim. Acho que com o “Ok Computer” [1997] eles eram uma banda à beira de se tornar muito grande. Eu achei legal que eles deram essa mudada. É um álbum incrivelmente melódico. Acho que a única coisa que eu sinto falta, é das letras. E eu sinto falta de alguns dos sons de guitarra do Jonny [Greenwood]. Mas eles são uma banda legal. Espero que eles permaneçam juntos e continuem fazendo música.

Billboard: Você ouviu algum dos projetos-paralelos de algum dos outros integrantes do Pearl Jam? Que tal o disco do Stone [“Bayleaf”, lançado em setembro de 2001]?

Jeff: Sim, eu ouvi o disco todo. Ele soa como as demos que o Stone fez nos últimos anos. Algumas das canções têm três ou quatro anos. Eu estou bastante entusiasmado com isso. Eu não acho que ele saiba o que ele vai fazer com isso, ainda. Pelo que eu sei, Mike está trabalhando com Nancy Wilson e ele escreveu algumas coisas com o Ozzy. Eu acho que, mais do que todo mundo, para o Mike é mais importante continuar tocando. É o que ele ama e o que ele melhor sabe fazer.

Billboard: Que tal o Wellwater Conspiracy [projeto do baterista Matt Cameron com John McBain do Monster Magnet]?

Jeff: Sabe que eles são uma dupla legal? Eu espero que eles saiam e façam mais shows. Eu encontrei John na rua outro dia. Eles talvez façam alguns shows na Europa. Isso depende, porque ambos têm família. E o Matt teve um ano tremendo em 2000 [risos].

Billboard: O que você pensa sobre o Napster?

Jeff: Eu acho o Napster ótimo. Eu acho que a Internet precisa talvez ter algumas regras. O Napster deveria pagar os artistas. Nada obsceno, mas deveria ser algo como uma licença. Mas eu acho que é um grande formato, que possibilita ligar o computador e procurar músicas estranhas. É incrível. Espero que eles possam se desenvolver. O fato é, que nos últimos anos, o Napster está enriquecendo com propaganda e com investidores. Uma única pessoa não pode fazer tanto dinheiro com um imenso catálogo de músicas. É algo antiético.

 


     
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