The Record, NY, Jim Beckerman
Pearl Jam no Madison Square Garden, 08/07/2003 (show do DVD "Live at the Garden")
"Esta é a melhor banda do mundo", Ben Harper anunciou de forma prosaica, durante sua apresentação como convidado na noite do primeiro de dois shows do PJ no Madison Square Garden.
Ele não ofereceu evidências, e nem poderia. De um ponto-de-vista científico, a idéia é improvável. Do ponto-de-vista do público - que lotou [o MSG] e que estava repetindo cada palavra, cada nota, cada nuance de Eddie Vedder e companhia - era auto-evidente.
Seja dito. A banda grunge mais duradoura de Seattle fez um show tão energético, tão refinado e tão musicalmente excitante, que surge a questão: se esta não é a melhor banda do mundo, qual é?
Em 13 anos, a banda tem sobrevivido a críticos que os chamaram de Nirvana-lite, resistiram a batalhas contra os preços inflados da Ticketmaster e a breves controvérsias sobre o posicionamento político de Vedder.
Se o PJ não pode provar a declaração de Harper, ao menos ofereceu fortes evidências circunstanciais com um show de levantar o teto.
Considere o seguinte:
1. Certeiro. O show foi longo. Muito longo. 4 horas, sem contar a banda de abertura, os veteranos punk rockers britânicos do Buzzcocks. Quando o Pearl Jam entrou no palco, a banda tocou mais do que 30 canções. É como uma noite monumental que Bruce Springsteen, em seus dias mais vigorosos, costumava se vangloriar - climax após clímax, até o público estar fora de si.
2. Refinamento. É difícil acreditar que o PJ muda seu set quase que completamente de noite para noite; foi muito agradável a sequência deste show. Vedder adaptou sua letra em "Love Boat Captain" em uma palavra - "let's the games begin" se tornou "let's the show begin" - e, voila, uma abertura feita de encomenda.
No resto da noite, eles misturaram canções dos mais recente - excelente - álbum de estúdio, "Riot Act" com canções dos primeiros trabalhos: "Wishlist", "Breath", "Betterman", "Crazy Mary", ente outras. A justaposição das canções foi exata. Muita variedade: do estranho ritmo cortado de "Cropduster" (o verso é num compasso 7/4), à "inclinação metal" de "Even Flow", à envolvente "I Am Mine", tudo dentro de um espaço de poucas canções. Muito material para os "headbangers", mas também muitas canções mais melódicas para segurar o isqueiro.
3. Vedder. O homem tem uma das melhores vozes da música. Ponto final.
4. Habilidade musical. O baixista Jeff Ament, o guitarrista Stone Gossard, o baterista Matt Cameron são todos ótimos. Mas o guitarrista Mike McCready - pense em Hendrix depois de 100 xícaras de café - é uma força da natureza. Seu solo em "Even Flow" foi fabuloso, apocalíptico, brilhante. E contínuo.
5. Bom gosto. Nenhuma fumaça aqui, e só um espelho - um pequeno, que Vedder segurou para pegar a luz do holofote e refleti-la no público como um canhão de iluminação. Um efeito simples e elegante. E isso foi o máximo de truque. A banda não precisa de efeito para fazer um show. A música é o show.
6. Respeito pela tradição. Como a maioria dos ótimos roqueiros, Vedder conhece sua história. Seja numa jam com o Buzzcocks em "Why can't I touch it?" ou em covers de John Lennon ("Gimme Some Truth") e The Who ("Baba O' Riley"), ou trazendo Harper para um grande e admirável "encontro revival" ("With my own two hands"), Vedder prova que nenhuma banda é uma ilha, cada uma é parte do grande rock and roll.
7. Eles agitam. Veja o seguinte: o Madison Square Garden tem um chão de concreto. E, juro por Deus, ele estava tremendo.